Neste domingo, 11, o ministro André Mendonça, do TSE, atendeu um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e mandou a Central Única dos Trabalhadores apagar cinco publicações do Instagram. A Meta também foi notificada e tem três horas para tirar o conteúdo do ar. Mendonça apontou aparente ilicitude porque o perfil é institucional, de pessoa jurídica, e estava veiculando propaganda eleitoral. Na noite de domingo, a Jovem Pan registrou que as publicações já tinham saído do ar.

Os cinco posts, na descrição da decisão, faziam o seguinte. Um associava Flávio ao Escritório do Crime e às milícias, com montagem que incluía Adriano da Nóbrega, morto em 2020, sem demonstração, nesta fase, de suporte concreto. Outro dizia que o salário mínimo deixaria de subir e que as aposentadorias seriam congeladas se ele ganhasse, tratando como certeza uma medida que não foi demonstrada. O terceiro dizia “tal pai, tal filho, plano de governo de Flávio põe aposentadorias em risco”, embora o próprio texto da CUT admitisse que o documento oficial da campanha não menciona o reajuste de 28 milhões de aposentados e beneficiários do BPC. O quarto afirmava “com Flávio, você vai perder o Pix” e que ele cederia à pressão de Trump, sem suporte fático suficiente. O quinto dizia “com Flávio, você vai perder sua folga da semana”, e Mendonça lembrou que o descanso semanal remunerado é garantia constitucional, distinta da briga política da escala 6x1.

O ministro não fechou a discussão. Escreveu que há questões relevantes sobre a veracidade e os limites da crítica, e que o julgamento definitivo fica para depois do contraditório. Ele rejeitou o pedido de censura prévia, então a CUT não ficou proibida de publicar. Horas depois, a central fez um post novo: “Atenção, Mendonça e Flávio Bolsonaro não querem que você veja isso”, e repetiu as teses do Pix e da aposentadoria em risco. O que saiu do ar foram as cinco peças. O recado da CUT contra a ordem continuou no perfil.