MÃE DE SEIS FILHOS EM JI-PARANÁ TEM O SALÁRIO BLOQUEADO POR CAUSA DA CONDENAÇÃO DO MARIDO NO 8 DE JANEIRO
Vanessa Rolim Vieira, servidora de Ji-Paraná, em Rondônia, e mãe de seis filhos, diz que a conta-salário segue bloqueada desde 2023 porque o marido, Ezequiel Ferreira Luis, foi condenado a 14 anos por estar no Planalto no 8 de janeiro, e Moraes, Zanin, Dino e Toffoli votaram para manter o bloqueio dos caminhões da família.
Vanessa Rolim Vieira, servidora do Estado de Rondônia e moradora de Ji-Paraná, contou à Gazeta do Povo, e repetiu em entrevista que circula no IronTalks, que a conta-salário dela segue bloqueada desde o início de 2023. Ela está afastada por licença médica e cria sozinha os seis filhos, Francisco, Maria, Ana, Emílio, José e Paulo. O bloqueio não é uma condenação contra ela. Atinge os bens do casal porque o marido, o caminhoneiro e empresário Ezequiel Ferreira Luis, foi condenado pelo Supremo a 14 anos pelos atos de 8 de janeiro. Ela diz que até a conta em que cai o salário de servidora está travada, e que os seis caminhões financiados pela família não podem ser licenciados, estão parados e se deteriorando, enquanto a dívida do financiamento continua.
Ezequiel foi preso dentro do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro de 2023 e ficou cerca de sete meses na Papuda. Em março daquele ano, a maioria do Supremo o condenou por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio. Alexandre de Moraes tratou como inverossímil a explicação de que ele tinha ido a Brasília por curiosidade. Nunes Marques e André Mendonça votaram pela absolvição, por falta de acusação individualizada. O revisor anotou que a Polícia Federal não apontou imagem dele agindo dentro do Planalto, nem material genético ou digital no local. Zanin, Fachin e Barroso condenaram, mas com pena menor. A pena que prevaleceu foi a de 14 anos, a do relator. Vanessa sustenta que ele não quebrou nada. A condenação, do jeito que foi lavrada, inclui dano e deterioração. Depois da pena, ele deixou o país. A família diz que não sabe onde ele está.
Em novembro de 2025 a defesa dela entrou com embargos de terceiro na Ação Penal 1.085. O pedido era reconhecer a metade dela, como cônjuge que não é ré, e liberar o licenciamento dos caminhões sem autorizar a venda. No plenário virtual aberto em 28 de agosto, Moraes votou contra. Zanin, Dino e Toffoli acompanharam. Até o início de setembro eram quatro votos para manter a restrição, e a sessão seguia até o dia 4. O que não mudou na vida dela, e é o que a entrevista mostra de novo agora, é o salário de servidora preso na conta e seis filhos em Ji-Paraná sustentados sem o patrimônio que a família usava para trabalhar.

