MENDONÇA AUTORIZA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL PARA RASTREAR BENS DE VORCARO NO EXTERIOR
Decisão de maio de 2026, sob sigilo e revelada agora, permite à Polícia Federal usar mecanismos de assistência jurídica mútua no caso Banco Master. Medida é preventiva e não determina bloqueio imediato de ativos fora do Brasil.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a utilizar mecanismos de cooperação jurídica internacional na investigação sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e irregularidades no Banco Master. A decisão, proferida em maio de 2026 e mantida sob sigilo, foi revelada no final de julho. Com o aval, os investigadores podem acionar tratados como o MLAT e acordos bilaterais para colher provas ou rastrear ativos no exterior, caso necessário. A medida tem caráter preventivo e não determina rastreamento ou bloqueio imediato de valores fora do Brasil.
O QUE A AUTORIZAÇÃO PERMITE
A decisão de Mendonça atende a pedido da Polícia Federal formulado na fase inicial das apurações, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. Ela habilita o uso de canais oficiais de cooperação jurídica internacional, formalizados pelo Ministério da Justiça. Relatórios apontam que já há autorizações específicas em andamento, incluindo pedidos relacionados a um iate encomendado na Alemanha e a um avião nos Estados Unidos. A formalização dos acordos específicos continua necessária para cada diligência.
O CONTEXTO DO CASO MASTER
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, no maior caso de prejuízo ao Fundo Garantidor de Créditos da história, com estimativas entre R$ 41 bilhões e R$ 51 bilhões. A Operação Compliance Zero investiga fraudes bilionárias, venda de carteiras de crédito sem lastro, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e outros crimes. Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março de 2026. Tentativas de delação premiada foram rejeitadas pela PF e pela PGR.
PATRIMÔNIO E INVESTIGAÇÃO NO EXTERIOR
A Polícia Federal apura indícios de patrimônio pulverizado fora do Brasil, incluindo bens de luxo e transferências. A autorização de Mendonça amplia as ferramentas legais para localizar e, eventualmente, recuperar ativos, sem significar que diligências internacionais já estejam concluídas ou que bloqueios tenham ocorrido. O procedimento segue os padrões usados em investigações de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial de grande porte.
AVANÇO DISCRETO DA APURAÇÃO
Enquanto outras frentes políticas e judiciais dominam as manchetes, o caso Master continua sob a relatoria de André Mendonça com medidas técnicas e sigilosas. A autorização de cooperação internacional reforça que a investigação não se limita ao território brasileiro e busca recuperar o máximo possível do prejuízo causado ao sistema financeiro. A Polícia Federal pretende avançar em etapas relevantes das apurações nos próximos meses.

