O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para o dia 17 de agosto uma nova reunião com embaixadores, representantes diplomáticos e organismos internacionais com o objetivo de detalhar o funcionamento das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro. O encontro será conduzido pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, na sede do tribunal, em Brasília.

CONTINUIDADE DAS AÇÕES DE “TRANSPARÊNCIA”

Segundo o TSE, a iniciativa dá continuidade às ações de transparência voltadas à comunidade internacional. Em 16 de junho, Nunes Marques já havia se reunido com 25 embaixadores para apresentar o modelo brasileiro de votação eletrônica, destacando mecanismos de fiscalização e auditoria. Agora, o tribunal amplia o convite a todo o corpo diplomático credenciado no país, incluindo a representação dos Estados Unidos.

O CONTEXTO DAS CRÍTICAS

A convocação ocorre após o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ter levantado questionamentos sobre as urnas em um encontro com diplomatas. O senador associou parte das máquinas utilizadas no Brasil à empresa Smartmatic, ligada ao sistema venezuelano — informação reiteradamente negada pelo TSE, que afirma que todo o projeto da urna eletrônica é concebido e gerido pela Justiça Eleitoral brasileira. Flávio também pediu o envio de maior número de observadores internacionais para as eleições de outubro.

TENSÃO COM OS ESTADOS UNIDOS

A reunião acontece ainda no contexto da recusa de vistos pelo Itamaraty a dois funcionários do Departamento de Estado americano que pretendiam visitar o Brasil para tratar de temas como integridade eleitoral. O TSE informou que a Embaixada dos EUA havia procurado sua área internacional para discutir uma possível visita, mas a pauta não foi detalhada e o encontro não chegou a ser marcado por causa do recesso do Judiciário.

OBSERVADORES JÁ CONFIRMADOS

O tribunal também confirmou a participação de missões internacionais de observação eleitoral, entre elas OEA, União Europeia, Parlasul, Carter Center e ROJAE-CPLP. A iniciativa do TSE é apresentada como reforço da confiança no sistema, mas ocorre em um cenário de polarização eleitoral e de histórico de questionamentos sobre a transparência e a fiscalização independente das urnas eletrônicas.