O colunista Claudio Magnavita escreveu nesta sexta que o Supremo deu um tiro no pé ao interferir no debate da Globo. A maior janela do debate, a da véspera do primeiro turno, foi fechada pelo que ele chama de esforço de sobrevivência da Corte, que teme o resultado da eleição. Para ele, ficou escancarada a interferência da ala pró-Lula no processo eleitoral, e o trauma não ficou na presidência: turbinou a eleição para o Senado.

O fato de quinta é este. Por volta das 18h30, Estela Aranha, no TSE, proibiu o púlpito vazio de Lula e as perguntas a quem faltasse. Às 19h27, Gilmar Mendes mandou a Globo incluir Renan Santos, depois de o TSE e a própria Corte já terem dito não. Às 20h39 a emissora cancelou e falou em interferência na liberdade de imprensa. A CNN registrou nesta madrugada que a sequência manteve TSE e STF no centro da disputa, na reta final.

O salto que Magnavita faz é constitucional. Ministro do Supremo não cai por decisão de outro ministro. Quem julga crime de responsabilidade de ministro do STF é o Senado, pelo artigo 52. Para condenar e tirar do cargo, são precisos dois terços, 54 dos 81 senadores. O presidente indica o substituto, e o Senado confirma. Por isso ele escreve que só uma bancada nova, de senadores de direita, pode colocar ordem no que chamou de suprema desordem. Domingo não se vota só presidente. Se vota quem pode abrir esse processo.