LULA LIGA AO VIVO PARA DINO ANTES DE SANCIONAR A LEI E A CHAMADA CAI
No hospital em Belém o presidente pediu que o ministro do STF mandasse um recado ao povo do Pará
Lula telefonou ao vivo para Flávio Dino na segunda-feira (28), durante visita ao complexo da Beneficente Portuguesa, em Belém, e avisou que não sancionaria a lei sem falar com ele. O projeto, apresentado por Dino quando era senador, cria a Estratégia Nacional de Controle e Avaliação da Qualidade da assistência prestada pela saúde privada, com padrões a cargo da Anvisa, divulgação periódica dos resultados e multa de R$ 5 mil a R$ 500 mil para hospital e clínica que descumprirem a regra. Na transmissão, o presidente chamou o texto de lei da dor de um pai e pediu que o ministro gritasse um alô ao povo do Pará e explicasse o sentido do projeto. Dino atendeu. “Oi, tudo bom, presidente?” A ligação caiu antes do recado.
A origem do projeto é a morte de Marcelo Dino, aos 13 anos, em 14 de fevereiro de 2012, depois de uma crise de asma no Hospital Santa Lúcia, em Brasília. A família processou o hospital. Em outubro de 2025, a 22ª Vara Cível de Brasília condenou a instituição a pagar R$ 1,2 milhão, em sentença já transitada em julgado, e Dino disse que o valor seria doado porque o que importava era o reconhecimento da culpa. A sanção de segunda aconteceu nesse registro pessoal, com o ministro do Supremo no viva-voz de um ato de governo, a cinco dias da eleição.
Flávio Bolsonaro reagiu à cena. Disse que Lula ligou para Dino como se o ministro fosse um político subordinado do governo e perguntou se Dino continua sendo subordinado de Lula no STF. No domingo, o mesmo ministro tinha suspendido, no Supremo, uma decisão que André Mendonça tomara no TSE. Na segunda, o presidente o colocou no alto-falante e pediu que falasse com o Pará. A linha caiu. A pergunta ficou.

