LULA DIZ EM BELÉM QUE A MULHER APRENDE A TOMAR TOQUE DESDE PEQUENA
A frase, dita para cobrar o exame de próstata, foi criticada por Nikolas, por Landim e por Carla Araújo, e a campanha pediu ao TSE que tire os posts
Na noite de segunda-feira (28), no comício de Belém, depois de visitar o Hospital São João de Deus e comemorar a primeira cirurgia robótica de próstata feita pelo SUS no Norte, Lula disse que o homem é covarde, que não gosta de fazer teste de próstata e não gosta de toque, e completou que as mulheres aprendem a tomar toque desde quando são pequenas, enquanto o homem seria cheio de trejeitos e não saberia que, se tiver câncer de próstata, vai receber muito toque, frase que ele emendou no que chamou de milagre da cirurgia robótica, na qual o paciente não teria mais incontinência urinária, não precisaria de fralda e voltaria para casa no mesmo dia ou no seguinte, com a promessa de levar o procedimento ao Pará, ao Amazonas, ao Amapá e até a Garanhuns, e com a lembrança da mãe, dona Lindu, morta de câncer de útero em 1980, aos 65 anos.
A frase saiu do palanque e virou o assunto do dia, porque Nikolas Ferreira escreveu que menina pequena não aprende a tomar toque nenhum e, segundo a própria petição da campanha de Lula ao TSE, invocou a figura de um pedófilo e leu “toque” como toque vaginal em criança, leitura que o Estadão registrou como o alvo do pedido de terça-feira (29) para derrubar duas publicações do deputado, enquanto O Globo listou no mesmo coro Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem, Júlia Zanatta, Rosangela Moro e Gustavo Gayer, e Igor Gadelha, no Metrópoles, resumiu que a escolha da palavra toque pegou mal para Lula, ao mesmo tempo em que a campanha respondia que ele “obviamente” falava de exames ginecológicos preventivos que fariam parte da rotina da mulher desde jovem e que o homem, por uma cultura que a assessoria chamou de machista, resiste ao exame urológico, além de classificar como desespero o uso que a campanha de Flávio Bolsonaro fez da frase.
Quem fechou o cerco sem vir da oposição foram Raquel Landim e Carla Araújo, no SBT, já que Landim disse que as meninas não estão acostumadas a tomar toque desde pequenas e que as meninas que tomam toque quando são pequenas estão sendo estupradas, enquanto Carla Araújo tratou a frase como machista e horrível, com conotação sexual, e lembrou que Lula teria no currículo outras declarações do mesmo tipo, de modo que a defesa de contexto de saúde pública, que a coligação levou ao TSE para pedir a exclusão dos posts e a proibição de conteúdo semelhante, não apagou a comparação que o próprio presidente fez entre o exame do homem adulto e o que, nas palavras dele, a mulher aprenderia desde pequena.
O que a terça-feira mostrou é que a frase não ficou no comício, porque o candidato que a pronunciou pediu à Justiça Eleitoral que tire do ar a leitura que Nikolas deu a ela, ao passo que duas jornalistas que não estão na chapa adversária disseram que o problema está na comparação, e não só em quem a repetiu, num momento em que faltam cinco dias para o primeiro turno e em que a campanha tenta recolocar o discurso no hospital, na cirurgia robótica e na mãe morta de câncer, enquanto a frase que ficou é a do toque desde pequena.

