CÁRMEN LÚCIA RECUSA O INQUÉRITO DOS COLEGAS E DIZ DEUS ME LIVRE
A coluna de Andreza Matais apurou que Fachin tentou passar a ela os casos de Moraes, Nunes Marques, Toffoli e Fux com Vorcaro e que ninguém mais na Corte quis a missão
A coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, apurou que o presidente do Supremo, Edson Fachin, tentou convencer Cármen Lúcia a assumir os casos que envolvem integrantes da Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro, depois de avocar para o próprio gabinete a parte do inquérito que menciona os colegas, e que a ministra recusou a missão com a reação, segundo a coluna, de “Deus me livre”, num movimento que Daniela Lima já tinha registrado em 23 de setembro, quando escreveu que Fachin a sondou para conduzir os pedidos de investigação e as menções a ministros no caso Master e que ela declinou, sem que os dois respondessem à consulta feita pela assessoria do tribunal.
O que a coluna desta quarta acrescenta é o tamanho do arquivo que sobrou na mesa de Fachin, porque o Supremo terá de analisar a situação de quatro ministros, Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e Luiz Fux, e a disposição dos demais, segundo Matais, é a mesma de Cármen, que já teria procurado Moraes para prestar solidariedade diante da exposição do caso dele na mídia, de modo que, sem alternativa, cabe ao presidente decidir o que fazer com as menções aos integrantes do tribunal, enquanto o clima que a coluna descreve segue de guerra, com Fachin e Flávio Dino sem se falar desde a sessão que expôs a crise e os colocou em lados opostos sobre a investigação de Moraes, comunicação que passou a ser feita por intermédio de Cristiano Zanin, e com André Mendonça sequer olhando para alguns dos colegas, baixando os olhos, quando o encontro é inevitável, para evitar até o cumprimento protocolar.
Na terça-feira, ainda segundo a coluna, Fachin ouviu ministros reservadamente para saber se haveria novo enfrentamento caso incluísse na pauta o caso de Nossa Senhora, e a resposta foi que um grupo acusaria o outro de usar o episódio para beneficiar Lula ou Flávio Bolsonaro, além do conselho de que a crise deveria ser resolvida pelo TSE, sob pena de a sessão no Supremo ficar ainda mais quente do que a que tratou do caso Moraes, queixa que ele também ouviu sobre a decisão monocrática de Mendonça que mandou tirar do ar os vídeos que acusam Flávio Bolsonaro de vetar Nossa Senhora como padroeira do Brasil, discussão que os colegas disseram que deveria ocorrer no plenário da corte eleitoral, e não no Supremo.
O caminho que a coluna diz ter sido recomendado a Fachin é o que está na pauta de hoje, porque o plenário virtual do TSE, chamado por Nunes Marques, julga a ordem de Mendonça das 10h à meia-noite, depois de Dino tê-la derrubado no domingo e de Luiz Fux tê-la restabelecido na segunda, ao passo que o inquérito dos quatro colegas, o que Cármen não quis e que os demais também não quiseram, continua no gabinete de quem preside a Corte, sem um ministro disposto a pôr o nome no despacho que mexe com Moraes, Nunes Marques, Toffoli e Fux ao mesmo tempo.

