A colunista Andreza Matais, do Metrópoles, publicou nesta quinta-feira (17) oito trocas de texto e áudio em que a lobista Roberta Luchsinger trata Fábio Luís da Silva, o Lulinha, como sócio. Em depoimento à Polícia Federal, em maio, ela havia reduzido a relação a “amizade” e negado repasses. A mensagem mais recente é de 25 de junho de 2024, com um contato salvo como gerente do Le Bristol, em Paris. Em 13 de maio daquele ano, Roberta escreveu a um interlocutor que ficava de terça a quinta em Brasília “com o meu sócio q é filho do pr”. Em março, pediu que mostrassem a um Marcelo “a mensagem do meu sócio, Fábio”. Noutro áudio, disse que “o Fábio, meu sócio, já viajou para Barcelona”.

O conjunto se soma aos diálogos que a PF já tinha, revelados em agosto pela coluna de Tácio Lorran no mesmo site: Roberta falava em “nosso futuro é Suíça”, e Lulinha comentava reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e com Swedenberger Barbosa, o Berger, da Saúde. A lobista é investigada por tráfico de influência e recebeu, segundo a PF, R$ 1,5 milhão ligado ao esquema do Careca do INSS. Lula, em entrevista no SBT, disse que nunca tinha visto Roberta. Depois veio o áudio em que ela fala em festa com “o pai do Lulinha, meu sócio”. A defesa do filho do presidente questiona o alcance das peças e não reconhece sociedade formal.

Na delegacia ela era amiga. No zap ela era sócia. O intervalo entre o depoimento de maio e os oito áudios agora publicados não apaga a frase “filho do pr”. A PF tem o celular. O Metrópoles tem as oito mensagens. O Planalto tem a entrevista em que o presidente não conhecia a interlocutora. Cabe à investigação dizer se “sócio” era figura de linguagem ou contrato. Até lá, o que está no papel é o contraste: amizade na ata, sociedade no WhatsApp, Suíça no áudio antigo e Paris no recado novo.