O governo dos Estados Unidos afirmou, em determinação presidencial assinada por Donald Trump e enviada ao Congresso na terça-feira (15), que o Brasil falhou no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho, já classificados por Washington como organizações terroristas estrangeiras. O documento, publicado nesta quarta (16) e reproduzido pelo R7, trata dos países ligados ao trânsito ou à produção de drogas ilícitas no ano fiscal de 2027 e cobra do Planalto “medidas mais agressivas” contra as duas facções. Segundo o texto, PCC e CV transformaram o território brasileiro em centro relevante dos fluxos internacionais de substâncias ilícitas.

A avaliação chega no mesmo ciclo em que o Supremo discute Alexandre de Moraes, a Polícia Federal troca acusações no caso Master e o Itamaraty monta a agenda de Lula na Assembleia da ONU. Não é um tuíte de campanha: é papel protocolado no Capitolio, com nome das facções e pedido de resposta mais dura. O governo brasileiro ainda não detalhou, em nota oficial de mesmo peso, o que mudará na fronteira, no presídio e no porto. A classificação de terrorismo estrangeiro já autorizava, do lado americano, outro patamar de cooperação — e de sanção — se Brasília tratar o recado como ruído.

Enquanto o plenário do Supremo pede vista, Washington escreve que o crime organizado brasileiro atravessou a fronteira e virou problema da Casa Branca. O eleitor lê a sessão da terça. O Congresso americano lê o PCC e o CV no papel de Trump. Se o Planalto responder com discurso de soberania sem operação, o próximo documento deixa de ser diagnóstico e vira lista. A determinação está no Congresso dos Estados Unidos. A cobrança de “medidas firmes” está no parágrafo. Cabe ao governo dizer, com número e data, o que fará com as duas facções que Washington já chama de terroristas.