Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro mostram Ricardo Lewandowski, então ministro da Justiça de Lula, combinando um encontro com o dono do Banco Master em 19 de novembro de 2024. Vorcaro chamou o ministro de “meu caro amigo” e pediu um encontro rápido em Brasília ou São Paulo. Lewandowski topou: tinha almoço na sexta, à tarde estaria livre, “podemos falar em BSB.” Vorcaro ofereceu a casa: “tomamos um vinho na minha casa e colocamos a conversa em dia.” O ministro aceitou. Tinha compromisso das 18h às 19h. Depois disso, 19h30 na mansão do Lago Sul. Vorcaro mandou o endereço. A coluna de Bela Megale, no Globo, publicou o diálogo. Danuzio Neto repercutiu no Instagram.

Lewandowski comandava a pasta há mais de nove meses e era chefe hierárquico da Polícia Federal. O escritório ligado à família prestava serviço ao Master. O Antagonista registrou declaração do banco com R$ 2,3 milhões ao escritório de Ricardo Lewandowski. Ele havia saído da banca antes de assumir o ministério, segundo o relato reproduzido por Danuzio. As mensagens marcam o encontro e não gravam o que foi dito no vinho. A assessoria do ex-ministro respondeu que foi na gestão dele que a PF investigou o Master e prendeu Vorcaro, em novembro de 2025.

O zap está no inquérito. O convite está no celular. O ministro da Justiça foi à casa do banqueiro que um ano depois a própria PF prenderia. Flávio Bolsonaro já protocolou notícia-crime contra Lula por uísque e Master. O PT mandou a Dino a tese da interferência estrangeira. Agora o vinho do Lago Sul entra na mesma prateleira. Cabe à PF e ao relator do Master dizer o que a conversa em dia produziu. Cabe a Lewandowski sustentar o copo e a nota. O papel da PF já mostrou o convite. O conteúdo da taça ainda não.