A defesa de Jair Bolsonaro protocolou na noite de sexta-feira (25), no Supremo Tribunal Federal, pedido de liminar para soltar o ex-presidente e revisão criminal da condenação por tentativa de golpe. A CNN repercutiu a peça no Instagram. O argumento central sai da sessão de 15 de setembro, quando a Corte começou a discutir investigar Alexandre de Moraes pela relação com Daniel Vorcaro. Segundo os advogados, o princípio acusatório que Moraes e o procurador-geral Paulo Gonet agora empunham para travar processo contra o ministro é o mesmo que a relatoria ignorou quando, apesar de pedido de arquivamento da PGR, Moraes mandou diligência e empurrou a ação penal contra Bolsonaro.

A peça também fala em prova nova: parecer técnico sobre quebra na cadeia de custódia de provas digitais de aparelhos apreendidos. Na quinta (24), a defesa tinha pedido a Nunes Marques, relator de revisão de maio, suspensão imediata da pena de 27 anos e três meses. Duas horas depois desistiu da cautelar e pediu que a revisão seguisse o rito. Na sexta voltou com liminar e com o Master na mão. A aposta, na leitura da CNN, é colocar a Corte diante de uma escolha: soltar Bolsonaro ou avançar contra Moraes com a mesma régua.

O STF recebe o pedido. Nunes Marques já relata revisão. Gonet, em junho, tinha chamado o conjunto da condenação de vigoroso e pedido para rejeitar a revisão antiga. Agora o PGR e Moraes aparecem na peça como autores do entendimento que a defesa quer virar chave da cela. A sessão do dia 15 não julgou Moraes até o fim. Dino pediu vista. O Conselho do MPF, nesta sexta, recusou investigar Gonet por 5 a 4. A defesa de Bolsonaro junta esses fios e cobra o mesmo peso nos dois processos. Cabe ao relator despachar a liminar. Cabe ao plenário dizer se a régua do Master vale para quem já foi condenado.