KASSIO NUNES MANDA META PRESERVAR DADOS DE 51 CONTAS QUE ATACARAM FLÁVIO BOLSONARO
Em decisão sigilosa de sexta-feira (24), o presidente do TSE atendeu pedido do PL e determinou que a empresa mantenha registros de páginas suspeitas de impulsionamento irregular de propaganda negativa. Ministro aponta indícios de infraestrutura operacional comum entre os perfis.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, determinou na sexta-feira (24 de julho) que a Meta preserve integralmente os dados de 51 contas do Facebook e do Instagram apontadas por impulsionamento irregular de conteúdos negativos contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. A decisão liminar e sigilosa atende a uma representação apresentada pelo Partido Liberal e foi revelada por veículos de imprensa nesta semana./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/P/k/FAie6DRlAkyAWmFvEUOg/115757519-pol-sao-paulo-sp-25-07-2026-convencao-nacional-do-pl-partido-liberal-oficializa-a-ca.jpg)
Segundo o ministro, os elementos apresentados indicam a existência de propaganda paga, e não apenas manifestações espontâneas de usuários. O PL se baseou em relatório oficial da própria Meta, com dados coletados entre março e junho de 2026, que apontou a atuação coordenada de páginas descritas como “artificiais, temporárias e opacas”.
PL APONTA GASTOS DE QUASE R$ 3 MILHÕES EM ANÚNCIOS NEGATIVOS
De acordo com o levantamento do partido, as 51 páginas publicaram cerca de 4,6 mil anúncios patrocinados, que teriam alcançado aproximadamente 250 milhões de visualizações. A estimativa do PL é de que o volume movimentado chegou perto de R$ 3 milhões, com pagamentos registrados inclusive em moedas estrangeiras. Algumas contas com apenas 20 a 30 seguidores teriam gasto, individualmente, valores próximos de R$ 200 mil.
O ministro destacou que o material revela conteúdo depreciativo dirigido especialmente a Flávio Bolsonaro e a outros filiados do PL. Na decisão, Nunes Marques afirmou que “não se está diante de discurso orgânico, atribuível a um titular determinado que responde por suas opiniões, mas de propaganda paga — impulsionamento de conteúdo”.
MINISTRO IDENTIFICA INFRAESTRUTURA OPERACIONAL COMUM
Kassio Nunes Marques apontou indícios de que as páginas compartilham uma mesma estrutura. Pelo menos 15 delas, embora declarassem endereços em estados diferentes (São Paulo, Minas Gerais, Amazonas e Santa Catarina), utilizavam linhas telefônicas de contato com o mesmo DDD 41, da região de Curitiba (PR). Datas de criação próximas e outras coincidências reforçaram a suspeita de operação coordenada.
A decisão determina que a Meta impeça o descarte de dados já existentes e preserve:
- históricos de criação das contas;
- registros dos anúncios publicados;
- dados cadastrais;
- vínculos entre páginas, contas de anúncios e contas comerciais;
- registros de pagamento, cobrança, faturamento, identificação de pagadores e beneficiários, e datas das transações.
TSE NÃO SUSPENDEU OS PERFIS, APENAS ORDENOU PRESERVAÇÃO
O PL havia pedido a suspensão das contas. O presidente do TSE, porém, limitou-se a determinar a preservação dos dados para subsidiar a investigação sobre a origem dos recursos e a identidade dos responsáveis. A medida ocorre em período de pré-campanha, no qual a legislação eleitoral veda o impulsionamento pago de propaganda político-eleitoral negativa.
A decisão sinaliza a postura da atual gestão do TSE, vista como menos intervencionista do que a de 2022, sob o comando de Alexandre de Moraes. Ao mesmo tempo, mostra que a Corte segue atuando contra estruturas de propaganda irregular que atingem candidaturas, neste caso a principal da oposição ao governo Lula.
IMPACTO DIRETO NA CAMPANHA DE FLÁVIO BOLSONARO
A medida protege a produção de provas em um momento em que Flávio Bolsonaro, oficializado candidato pelo PL no sábado (25), enfrenta ataques coordenadas nas redes. Reportagens anteriores já haviam mostrado páginas anônimas com baixo número de seguidores injetando valores elevados em anúncios contra o senador e outros nomes da direita, como o governador Tarcísio de Freitas.
A preservação dos dados permite que a Justiça Eleitoral investigue quem financiou a operação e se houve uso de estrutura organizada para contornar as regras eleitorais. O resultado pode atingir não apenas os perfis envolvidos, mas também quem estiver por trás do financiamento, em um cenário de disputa acirrada pela Presidência.

