MAIS DE 230 INDÚSTRIAS BRASILEIRAS JÁ PRODUZEM NO PARAGUAI PARA ESCAPAR DO CUSTO DE OPERAR NO BRASIL
Regime de Maquila permite pagar apenas 1% sobre o valor exportado, com isenção de impostos na importação de máquinas e matéria-prima. Redução de custos pode chegar a 40%. Quem não consegue migrar enfrenta dívidas, parcelamentos e execução fiscal.
Mais de 230 empresas brasileiras já montaram operações industriais no Paraguai sob a Lei de Maquila. O número, consolidado a partir de dados do governo paraguaio e da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, corresponde a cerca de 70% das mais de 320 maquiladoras estrangeiras instaladas no país vizinho desde 2007. O atrativo principal não é mistério: produzir para exportação pagando 1% sobre o valor agregado ou exportado, com máquinas e matéria-prima importadas sem imposto, energia mais barata, burocracia reduzida e legislação trabalhista mais simples. A diferença de custos, segundo relatos e comparações de mercado, pode chegar a 40% em algumas atividades. A mesma carga tributária e os mesmos encargos que empurram parte da indústria para fora do Brasil são os que empurram muitos empresários que permanecem no país para o parcelamento inviável, a dívida ativa e a execução fiscal.
O QUE A LEI DE MAQUILA OFERECE NA PRÁTICA
A Lei de Maquila (Lei nº 1.064/1997, atualizada em 2025) permite que empresas estrangeiras instalem unidades voltadas principalmente à exportação. O tributo único é de 1% sobre o valor agregado no Paraguai ou sobre a fatura de exportação. Há isenção na importação de insumos, máquinas e equipamentos destinados à produção. Dividendos e lucros repatriados também gozam de benefícios. Encargos trabalhistas são significativamente menores: não há equivalente ao FGTS, a contribuição previdenciária patronal é fixa em torno de 16,5% e a jornada pode chegar a 48 horas semanais. Energia industrial é uma das mais baratas da América do Sul. Fontes como Poder360, Band e consultorias especializadas apontam que a combinação de impostos e encargos trabalhistas sob o regime fica em média perto de 12%, contra patamares que podem chegar a 80% em certos setores no Brasil.
QUEM ESTÁ DO OUTRO LADO DA FRONTEIRA
O setor de confecções e tecidos lidera, com dezenas de operações. Seguem plásticos, alumínio, autopeças, alimentos e químicos. Empresas de médio porte predominam, mas há casos de grupos conhecidos que transferiram linhas de produção ou firmaram parcerias, mantendo frequentemente a matriz e parte das atividades no Brasil. As dez maiores maquiladoras de origem brasileira registraram receita de exportação de cerca de US$ 1,3 bilhão em 2025. A maior parte dessa produção retorna ao mercado brasileiro, aproveitando as regras do Mercosul. Cerca de 25 mil a 35 mil empregos diretos estão vinculados ao regime no Paraguai — vagas que, em outros cenários, poderiam estar no território nacional.
A MAIORIA NÃO CONSEGUE SAIR
Transferir uma fábrica exige caixa, estrutura, capital de giro e fôlego financeiro que a maior parte dos empresários brasileiros não tem. Quem permanece no país continua operando sob a carga tributária elevada, a complexidade burocrática e os custos de conformidade que formam o chamado Custo Brasil — estimado em torno de R$ 1,7 trilhão por ano. O resultado prático é o aumento da pressão sobre o caixa: parcelamentos que não cabem no fluxo, inscrição em dívida ativa e risco de execução fiscal. A mesma estrutura de custos que torna o Paraguai atrativo é a que transforma a sobrevivência no Brasil em exercício permanente de renegociação e contenção de danos.
O QUE O BRASIL PERDE E O QUE O CENÁRIO REVELA
O movimento não é recente, mas se manteve e ganhou visibilidade nos últimos anos, inclusive com dezenas de novas aprovações a partir de 2023. Enquanto o Paraguai oferece regras simples e previsíveis para quem produz e exporta, o Brasil acumula carga tributária que, em 2025, chegou a 32,4% do PIB segundo dados oficiais, além de atos normativos que ampliaram custos operacionais em dezenas de bilhões de reais. A direita e os setores produtivos ligados ao liberalismo econômico veem no fenômeno a confirmação de que o excesso de impostos, a rigidez trabalhista e a burocracia funcionam como expulsão silenciosa de capital e empregos. Não se trata de “falta de gestão” individual. É o custo estrutural de operar no Brasil que decide quem consegue competir e quem fica refém do parcelamento e da dívida.
A pergunta que fica é direta: se a mesma empresa pudesse operar com redução relevante de custos, estaria devendo o que deve hoje? O Paraguai responde com regras. O Brasil responde com a conta.
Empresários que desejam avaliar com seriedade a possibilidade de estruturar operações, residência ou proteção patrimonial no Paraguai ou no Uruguai podem buscar orientação especializada. A Imigra Mais atua nessa área. Contato: (16) 99321-0648. Informe que veio pelo Editorial Central.

