BRASIL ENFRENTA BARREIRAS COMERCIAIS NA CHINA E NA UNIÃO EUROPEIA ALÉM DAS TARIFAS AMERICANAS
Após semestre recorde de exportações de carne bovina, o país lida com cota chinesa que eleva tarifa a 55% sobre o excedente e com suspensão europeia de produtos de origem animal a partir de 3 de setembro. Setor busca diversificação e vê os Estados Unidos como alternativa crescente.
O Brasil registrou no primeiro semestre de 2026 o melhor desempenho histórico nas exportações de carne bovina, com quase US$ 10 bilhões em vendas e alta de cerca de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior. O segundo semestre, no entanto, aponta para restrições importantes em dois dos principais mercados. Além do cenário de tarifas americanas, a China aplica salvaguarda com cota que, uma vez esgotada, eleva a alíquota em 55%, e a União Europeia suspende a partir de 3 de setembro as importações de carnes e outros produtos de origem animal brasileiros.
COTA CHINESA REDUZ ESPAÇO PARA A CARNE BRASILEIRA
A China, que comprou quase metade do volume exportado pelo Brasil no primeiro semestre, estabeleceu cotas de salvaguarda para proteger sua produção interna. No caso brasileiro, o limite com tarifa de 12% é de aproximadamente 1,106 milhão de toneladas anuais. Acima desse volume, incide sobretaxa de 55%, elevando a carga total a cerca de 67%. Fontes do setor e alertas oficiais chineses indicam que a cota destinada ao Brasil já está próxima ou atingiu percentuais elevados (relatos de 90% ou mais em agosto), o que deve reduzir significativamente os embarques no restante do ano. Economistas apontam que a medida cortou em torno de 35% o potencial de exportação em relação a níveis anteriores.
UNIÃO EUROPEIA SUSPENDE COMPRAS POR EXIGÊNCIAS DE ANTIMICROBIANOS
Pouco depois da assinatura do acordo Mercosul-UE, o bloco europeu retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal. A justificativa oficial é a ausência de garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos (substâncias usadas para tratar infecções e que, em alguns casos, podem atuar como promotores de crescimento). A suspensão, que atinge carne bovina, de aves e outros itens, começa em 3 de setembro de 2026. Estimativas do setor indicam perdas potenciais de até US$ 2,4 bilhões por ano. O governo brasileiro tenta reverter a decisão e avalia mecanismos, inclusive na OMC.
AJUSTES NO SETOR E BUSCA POR NOVOS MERCADOS
Frigoríficos já reduziram abates e, em alguns casos, concederam férias coletivas para se adequar à menor demanda externa. Produtores relatam cautela nas negociações de preços e opção por reter animais no pasto. No primeiro semestre, o Brasil ampliou vendas para 118 países, mas esses mercados são menores que a China. Os Estados Unidos, segundo maior destino e isentos de parte das novas tarifas americanas sobre a carne brasileira, registraram crescimento de cerca de 15% nas compras no período. Especialistas observam que o mercado americano enfrenta restrição de oferta interna, o que pode sustentar demanda adicional pela proteína brasileira.

