Greenwald: a esquerda finge que o escândalo de Moraes é de toda a Corte para não defender o aliado
O jornalista, que se declara de esquerda, acusou o PSOL de aplaudir Dino por barrar a investigação e de tratar o ministro que chamava de fascista como escudo
O jornalista americano Glenn Greenwald, colunista da Folha e fundador do Intercept Brasil, afirmou no X que a esquerda brasileira tenta fingir que não tem nada a ver com o Supremo — e que a tática é diluir o caso de Alexandre de Moraes no restante da Corte. Na segunda (8), escreveu que poucos no campo defendem Moraes de forma explícita, “porque até eles sabem que não conseguem justificar o fato de o herói deles ter recebido R$ 200 milhões de um banqueiro corrupto”. A defesa, disse, é outra: tratar o dossiê como “escândalo complicado que também inclui Mendonça pelo crime de tê-lo exposto”.
Depois da sessão de terça, Greenwald partiu para o PSOL. O deputado Glauber Braga escreveu que “Flávio Dino está certo” e que André Mendonça usaria o STF para beneficiar Flávio Bolsonaro. Greenwald respondeu que o partido nascido contra a corrupção petista agora faz “qualquer coisa para blindar” o ministro que o próprio PSOL, há oito anos, chamou de fascista, supremacista e golpista. Na madrugada de quarta, ampliou: ninguém no tribunal recebeu de Vorcaro quantia próxima; o núcleo do caso, segundo ele, é o que Moraes teria feito depois — blindar o banco, falar de fuga e apagar mensagens. “Vocês aplaudiram Flávio Dino por barrar uma investigação.”
O jornalista que publicou a Vaza Jato e o arquivo do gabinete de Moraes cobra a esquerda no mesmo ponto em que ela foge da câmera. Não é isenção de direita. É o recado de quem se declara do mesmo espectro: o ministro virou aliado político, e o aliado não se investiga. A vista de Dino, o voto de Zanin e o silêncio seletivo sobre o contrato da família com o Master são, na leitura de Greenwald, a prova. A esquerda que apontava o fascista no Palácio da Justiça hoje aponta o relator que tirou o sigilo. O STF que ela construiu é o mesmo que agora pede para não assinar o nome.

