Empresários que criticaram o STF relatam telefonema de Brasília para tirar a assinatura
Gazeta do Povo: abordagens citavam prejuízo em processos na Corte; Caio Junqueira levou o caso ao WW da CNN
Empresários de São Paulo que assinaram o manifesto “Pela Lei e pelo Brasil”, divulgado em 9 de setembro, relatam ter recebido telefonemas de autoridades de Brasília em tom de intimidação para retirar o nome do documento. A Gazeta do Povo publicou os relatos na terça-feira (15). Segundo eles, as ligações mencionavam a possibilidade de reabrir ou emperrar processos judiciais caso mantivessem o apoio ao texto que cobrava apuração independente, afastamento cautelar de investigados e código de conduta para as cortes superiores. O comentarista Caio Junqueira levou o episódio ao programa WW, da CNN Brasil. Uma fonte confirmou à Gazeta ter tomado conhecimento de abordagens com esse teor.
O manifesto de 9 de setembro reuniu mais de 150 assinaturas — Luciano Huck, Luiza Helena Trajano, Armínio Fraga entre elas — e citou o caso Master, ministros do Supremo, cúpulas da PF e do Ministério Público. Quatro dias depois, outro grupo de cerca de 180 nomes, com Pedro Malan, André Lara Resende e Cândido Bracher, enviou carta de apoio a Edson Fachin. Entre os 157 signatários do primeiro documento há empresários com recursos e reclamações no próprio STF, de trabalhista a tributário. O caso mais direto apontado pela Gazeta é o do ex-presidente do Itaú Cândido Bracher. Pedro Wongtschowski, da Fiesp, disse não ter conhecimento desses telefonemas.
Quem assina carta contra a Corte descobre que o processo dele mora na mesma Corte. A ligação de Brasília não precisa condenar ninguém: basta lembrar o número do recurso. O Supremo que pede decoro na terça e xinga colega no WhatsApp é o mesmo que guarda a pauta tributária do signatário. O manifesto pediu código de conduta. A resposta que esses empresários descrevem foi o recado de que a assinatura tem preço. A Gazeta publicou. O WW ecoou. O tribunal ainda não explicou o telefone.

