A direita pede que Caiado e Zema fechem com Flávio para encostar Lula
Vinícius Carrión ecoa o recado de Rodrigo Constantino aos “isentões”: o voto útil contra o PT e as quatro vagas no Supremo
Parte do eleitorado de direita voltou a pedir nesta semana que Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) abracem a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) para derrotar Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno. O comentarista Vinícius Carrión citou o vídeo de Rodrigo Constantino. No YouTube, no dia 8, Constantino publicou “Queridos amigos isentões”: mesmo quem não gosta de Flávio deveria votar nele agora e virar oposição no dia seguinte, porque uma reeleição de Lula significaria indicar mais quatro ministros no perfil de Flávio Dino e Cristiano Zanin e controlar a Polícia Federal. “2030 pode nem existir mais.”
A Quaest de segunda (14) mede o custo da divisão. Lula 36%, Flávio 31%, Augusto Cury 7%, Caiado 4%, Renan Santos 4%, Zema 1%. No segundo turno, Flávio aparece com 42% e Lula com 40%. Em junho, os três presidenciáveis da direita se encontraram na Megaleite, em Belo Horizonte, e falaram em união para “tirar o Brasil das mãos do PT”. Zema disse que a direita estaria unida no segundo turno. Nas semanas seguintes, o mineiro descartou ser vice de Flávio ou de Caiado e repetiu a crítica ao “banqueiro bandido”. Caiado cobrou clareza no caso Vorcaro. As chapas seguem separadas a 18 dias da urna.
O apelo que Carrión reproduz é o mesmo do vídeo de Constantino: o centro e a direita que ainda se escondem no voto em branco entregam a Lula o Supremo da próxima década. Caiado e Zema somam, juntos, menos do que a margem que separa Flávio do petista no primeiro turno. O encontro de junho mostrou o palco. As pesquisas de setembro mostraram a conta. Se a direita quiser o primeiro turno que Maurício Moura descreveu como possível, o caminho que Constantino apontou aos isentões vale também para os governadores que ainda concorrem contra o único nome que encosta Lula.

