Dino chegou atrasado à sessão e disse que estava “decretando prisão de gente”
Poder360: a frase colocou Brasília em alerta; o ministro é relator do Dark Horse, de Cezinha de Madureira e de um inquérito do Lulinha
O ministro Flávio Dino chegou atrasado à sessão extraordinária do Supremo na terça-feira (15) e justificou o atraso no plenário: estava “decretando prisão de gente”. O Poder360 registrou a frase e escreveu que a declaração acendeu o alerta em Brasília e entre advogados. Não houve, na sessão, nome do alvo. A Corte discutia se abre investigação contra Alexandre de Moraes. Dino pediu vista, chamou o encontro de “desastrosa” e levou o mérito para até 90 dias.
Os processos sob a relatoria dele explicam o nervosismo. Dino relata as investigações do filme Dark Horse — a cinebiografia de Jair Bolsonaro financiada com dinheiro apontado a Daniel Vorcaro, com Flávio Bolsonaro citado no pedido de patrocínio. Relata também o caso de desvios de emendas com alvo no deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado de André Mendonça. E um dos inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por tráfico de influência. Nas redes, a frase do atraso virou especulação de que o próximo mandado poderia alcançar o candidato do PL. Até aqui, não há anúncio de prisão contra Flávio Bolsonaro.
Um ministro do Supremo entra atrasado no julgamento do colega e conta que saiu da mesa decretando cadeia. Não precisa apontar o sobrenome. O Dark Horse, o aliado de Mendonça e o filho do presidente já estão no gabinete. A sessão que deveria decidir o inquérito de Moraes virou palco e ganhou vista. A frase ficou. Se o alvo for o senador ou qualquer outro nome da lista, o país só saberá quando o mandado sair. Até lá, o recado de Dino cumpriu o efeito: o plenário ouviu, e a campanha calculou o risco.

