Gonet pede o arquivo das denúncias de Vorcaro contra a PF
O banqueiro disse a Mendonça que a delação foi travada para proteger Andrei e que agentes ameaçaram jogá-lo do avião. Quem foi à PGR não foi o diretor da PF. Foi o procurador-geral.
Na quinta (27), Daniel Vorcaro falou quase duas horas a um juiz auxiliar de André Mendonça, com o Ministério Público na sala e sem a Polícia Federal. Relatou que a delação está bloqueada para que ele não fale de Andrei Rodrigues. Disse que, no transporte aéreo após a prisão, agentes o meteram numa caixa “como bicho”, bateram no compartimento e ameaçaram abrir a porta: “A gente pode te jogar daqui de cima. Ninguém vai duvidar se a gente disser que você se jogou.” Em outro trecho, segundo a Veja e o Metrópoles, ouviu “é mais fácil jogar ele daqui”. Falou em seis horas sem ar, um dia sem comida e água, e na frase “vai querer falar do chefe? Vai acontecer isso.” Não deu data, prefixo nem nome dos agentes. Quem estava na sala considerou o relato exagerado.
Na quarta (2), Paulo Gonet pediu o arquivamento dessas denúncias de maus-tratos. Para o procurador-geral, não há materialidade — “elementos concretos” — que justifiquem inquérito. Um dia antes, o mesmo Gonet já havia pedido a nulidade do relatório da PF sobre as mensagens de Vorcaro a Alexandre de Moraes, sob o argumento de que Mendonça não pode mandar investigar ministro, PGR e diretor da PF sem o plenário e sem iniciativa do Ministério Público. Andrei Rodrigues, pelo que a imprensa registrou, classificou as ordens de Mendonça como abuso; não há petição pública do diretor-geral pedindo a anulação das declarações do banqueiro. Quem protocolou a nulidade e o arquivo foi a PGR.
A sequência que o Reel monta — Vorcaro denuncia, Andrei corre à PGR, as falas caem — não está nos autos. O que está é outra: o banqueiro acusa a PF de travar a delação e de ameaça no avião; o chefe da PGR, citado pelo próprio Vorcaro nas mensagens de 2025, pede que o relato de tortura seja arquivado por falta de prova e que o relatório de Mendonça seja declarado nulo. Cabe a Gonet explicar por que o pedido de arquivo veio em 24 horas, sem perícia. Cabe à PF responder se a ameaça no helicóptero existiu. O depoimento é versão. O arquivo, se Mendonça aceitar, vira papel.

