O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, procurou o presidente Lula no Palácio do Planalto para cobrar apoio do governo à cúpula da Polícia Federal em meio ao confronto entre o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça. A reunião ocorreu fora da agenda oficial, após um café que reuniu integrantes do STF e o chefe da PF.

A crise começou depois que Mendonça determinou que a Polícia Federal produzisse, em 72 horas, um relatório com referências a Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues encontradas no material apreendido com Daniel Vorcaro. A corporação interpretou a ordem como interferência em sua autonomia, e Andrei passou a acusar o relator de tentar atuar simultaneamente como juiz, investigador e Ministério Público.

Segundo relatos sobre a conversa, Gilmar afirmou a Lula que uma possível interferência de um ministro do STF na Polícia Federal também exigiria reação do Executivo. O movimento revela a formação de uma frente institucional contra a condução adotada por Mendonça e aumenta a pressão sobre o Planalto, que tenta evitar envolvimento direto no conflito enquanto administra os impactos políticos do caso Banco Master.