Gilmar Mendes pediu que o Supremo só decida o caso Master depois de identificar todos os magistrados que aparecem nas investigações. Em questão de ordem, o decano encampou a proposta de Flávio Dino: a Secretaria Judiciária deve certificar os nomes de juízes do STF, do STJ, do TST e dos demais tribunais citados nas apurações do Banco Master. Gilmar quer ainda separar aqueles contra os quais há indícios consistentes de recebimento ilícito de valores. A frase da peça, relatada pela coluna de Manoela Alcântara: a providência serve para abrir sindicância, “sob o pálio do devido processo legal, das aparentes ilegalidades atribuídas aos magistrados referidos”.

O alvo imediato é a PET 16.662, o processo do relatório da Polícia Federal com indícios de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Gilmar propõe suspender esse julgamento até depurar quem pode sentar no colegiado. Escreveu que deliberar sobre o mérito com incerteza sobre imparcialidade ou impedimento é juridicamente inviável, e resumiu: decidir antes de saber quem decide contamina o julgamento. Na mesma peça, pergunta se Kassio Nunes Marques pode votar, por causa das citações do filho do presidente do TSE. E trata os relatórios feitos por ordem de André Mendonça como “direcionados seletivamente contra Alexandre de Moraes”.

A questão de ordem não julga Moraes. Empurra a PET 16.662 para depois de uma lista que atravessa o Supremo, o STJ, o TST e o resto da magistratura. No texto, o relatório que mira Moraes vira peça seletiva, e a cadeira de Kassio entra na dúvida por causa do filho. Quem Gilmar diz que precisa ser sabido, antes do voto, é o nome de cada toga citada no Master.