Flávio Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (29), às 15h, que Pablo Marçal entra num eventual governo dele, se o PL vencer a eleição, para ajudar nas áreas de empreendedorismo e mobilidade social. O anúncio foi feito num encontro de faixas-pretas na Alliance Jiu-Jitsu, na Rua Ramos Batista, 249, na Vila Olímpia, em São Paulo, compromisso que já constava da agenda pública do candidato. O SBT News informou que a assessoria de imprensa de Flávio confirmou o convite. Não há, no relato, o nome de um ministério, de uma secretaria ou de um cargo comissionado. O que foi dito é a função: empreendedorismo e mobilidade social, dentro de um governo que ainda depende da urna de domingo.

Marçal não está na cédula. Em 11 de setembro, o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou por unanimidade o registro da candidatura dele à Presidência pelo PRTB. A relatora, ministra Estela Aranha, foi acompanhada por Ricardo Villas Bôas Cueva, Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Antonio Carlos Ferreira, Dias Toffoli e Floriano de Azevedo Marques. A Corte aceitou o argumento do Ministério Público Eleitoral de que ele não estava filiado ao PRTB em abril, quando fechou a janela de troca de partido, porque ainda era do União Brasil. O mesmo julgamento registrou que ele está inelegível até 2032 por causa da campanha à Prefeitura de São Paulo em 2024, na qual a Justiça Eleitoral apontou abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. No dia 14, último prazo legal para substituição, Marçal entregou carta de renúncia e o PRTB colocou no lugar o presidente da legenda, Leonardo Avalanche.

A aproximação com Flávio é anterior a essa barreira. Em 17 de dezembro de 2025, num evento com empresários em Barueri, Marçal chamou o senador ao palco e disse: “Vamos apoiar o Flávio Bolsonaro para presidente do Brasil. Chega de PT, chega de Lula. Ele é o Bolsonaro que a gente sempre sonhou.” O encontro tinha sido articulado por Filipe Sabará, que coordenou a campanha de Marçal à prefeitura. Naquela disputa de 2024, Marçal ficou em terceiro, com 28,14% dos votos e 1.719.274 sufrágios, a 56,8 mil do segundo turno. Em 16 de abril deste ano, os dois voltaram a gravar juntos e Flávio disse em vídeo que Marçal era “um irmão, um amigo” e que estava lhe dando dicas de campanha. Em 20 de agosto, já na reta em que Marçal tentara registrar candidatura própria, Flávio o chamou de “cara do bem” e “preparado” e o incluiu, ao lado de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, na lista de quem, na frase dele, veste a camisa do Brasil contra o PT.

O anúncio de hoje muda o lugar dessa aliança. Até agosto, Marçal aparecia como nome que Flávio queria ao lado na disputa eleitoral. Desde 11 de setembro ele não pode ser candidato, e desde 14 de setembro nem o PRTB o mantém na cabeça de chapa. O que Flávio ofereceu na Alliance, com a confirmação da assessoria ao SBT, é uma tarefa de governo, não um número de urna. A inelegibilidade eleitoral, do jeito que o TSE a aplicou, impede a disputa pelo cargo. Não descreve, no julgamento de setembro, um ministério. O convite, portanto, deixa em aberto o formato, o dia em que começaria e a resposta pública do próprio Marçal, que o relato do SBT não traz. O que está fechado é o calendário: cinco dias antes do primeiro turno, o candidato do PL apresentou como gente de um eventual governo o empresário que a Corte Eleitoral tirou da eleição por filiação fora do prazo e por condenação eleitoral válida até 2032.