EUA se afastam da OTAN enquanto Rússia ameaça Reino Unido
Revisão do Pentágono pode reduzir a presença americana na Europa justamente quando Moscou eleva o tom contra alvos britânicos
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, confirmou que os Estados Unidos estão reduzindo parte de sua contribuição operacional e pressionando os aliados europeus a assumir maior responsabilidade pela defesa do continente. O Pentágono revisa a presença de aproximadamente 80 mil militares americanos na Europa e deverá apresentar opções ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, até novembro. A mudança não significa que Washington abandonou formalmente a aliança ou o Artigo 5, mas indica menor disposição para sustentar sozinho sua estrutura militar.
O movimento ocorre no momento em que a tensão entre Rússia e Reino Unido alcança um novo nível. Moscou advertiu que poderá atacar instalações militares britânicas dentro ou fora da Ucrânia caso armas e tecnologia fornecidas por Londres continuem sendo usadas contra território russo. O alvo da controvérsia é o míssil de cruzeiro Storm Shadow: britânicos e franceses autorizaram o repasse de tecnologia para que Kiev amplie sua produção, enquanto o governo russo acusa os dois países de estarem “brincando com fogo”.
A combinação dos acontecimentos aumenta a pressão sobre a Europa: quanto menor a participação direta dos EUA, maior será o custo para Reino Unido, França, Alemanha e Polônia sustentarem a dissuasão contra a Rússia. Ainda não há prova de que Vladimir Putin tenha decidido atacar território britânico, e uma agressão contra um membro da OTAN poderia acionar a defesa coletiva. O risco imediato é de escalada por erro de cálculo — um ataque com arma ocidental, seguido de retaliação russa contra uma instalação ligada ao Reino Unido, poderia testar até onde Trump pretende cumprir os compromissos militares americanos.

