O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou nesta terça-feira (11 de agosto) um vídeo oficial sobre a Doutrina Monroe no qual afirma que o domínio norte-americano no Hemisfério Ocidental “nunca mais será questionado”. O material, de mais de cinco minutos e apresentado pelo embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera, recupera a origem da doutrina anunciada pelo presidente James Monroe em 1823 e a conecta diretamente à política externa do atual governo americano. A publicação ocorre um dia após a China solicitar participação nas consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

O QUE O VÍDEO OFICIAL DECLARA

No texto que acompanha a publicação, o Departamento de Estado afirma: “A Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de dois séculos. O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado.” O vídeo apresenta Donald Trump como o “mais recente defensor” da doutrina e inclui trecho em que o presidente americano declara, segundo a nova estratégia de segurança nacional, que a dominância norte-americana na região não será novamente questionada. Entre os episódios históricos citados estão a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, e a atuação do governo Reagan contra grupos de esquerda apoiados pela União Soviética na América Latina.

A OPERAÇÃO ABSOLUTE RESOLVE COMO EXEMPLO RECENTE

Na parte dedicada ao governo atual, o material destaca a Operação Absolute Resolve (Resolução Absoluta), realizada em janeiro de 2026. A ação, conduzida por forças especiais americanas, resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. Segundo o vídeo, a operação transmitiu “um sinal contundente por todo o hemisfério”. Maduro foi transferido para os Estados Unidos, onde enfrenta acusações federais, incluindo narcoterrorismo. A referência serve para ilustrar a aplicação contemporânea da doutrina contra regimes de esquerda autoritários na região.

O CONTEXTO DA COMPETIÇÃO COM A CHINA E A DISPUTA COM O BRASIL

A publicação do Departamento de Estado coincide com o aumento das tensões diplomáticas e comerciais na América Latina. No dia anterior, a China formalizou pedido para participar das consultas iniciadas pelo Brasil na OMC contra as sobretaxas americanas sobre produtos brasileiros. As tarifas, anunciadas no governo Trump, chegam a percentuais elevados em alguns casos e foram justificadas por investigações sobre práticas comerciais e outras questões. A China, maior parceiro comercial do Brasil, alegou “interesse comercial substancial” no processo. O momento da divulgação do vídeo reforça a mensagem de que Washington pretende reafirmar primazia estratégica no continente diante da crescente presença econômica e política de Pequim.

O QUE A REAFIRMAÇÃO SIGNIFICA PARA A REGIÃO

A Doutrina Monroe, originalmente formulada para impedir a recolonização europeia das Américas independentes, evoluiu ao longo de dois séculos para justificar a primazia norte-americana no hemisfério. No vídeo oficial, o Departamento de Estado apresenta essa trajetória como continuidade e declara que a predominância americana está restaurada sob a atual estratégia de segurança nacional. Para a direita conservadora e setores que defendem a soberania nacional diante de influências externas de esquerda e de potências extrarregionais, a declaração representa um sinal claro de que regimes autoritários e alianças com a China enfrentam limites impostos pelo poder americano. A captura de Maduro, líder de um governo de esquerda acusado de narcoterrorismo e repressão, é citada como demonstração prática dessa postura.

A mensagem de Washington é direta: o Hemisfério Ocidental continua sob a esfera de influência prioritária dos Estados Unidos, e tentativas de questionar essa realidade — seja por regimes de esquerda ou por potências externas — serão respondidas com firmeza.