O presidente da Argentina, Javier Milei, compartilh ou neste domingo (9) nas redes sociais uma mensagem do deputado republicano norte-americano Carlos A. Giménez que chama o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “criminoso” e “porco”. A publicação afirma que o “ódio e o desprezo” de Lula em relação ao secretário de Estado americano Marco Rubio viriam de “chefes na ditadura castro-comunista” e conclui que “os brasileiros merecem muito mais do que esse porco”.

NOVA RODADA DE ATAQUES NAS REDES

A repostagem ocorre após uma sequência de ofensas de Milei contra o presidente brasileiro. No fim de julho, durante a convenção do PL em São Paulo que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro, o argentino chamou Lula de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”. Nos dias seguintes, voltou a qualificar o petista de corrupto em entrevistas e compartilhou imagens antigas, como a de Lula sendo fichado no Dops em 1980, quando foi preso por liderar greves durante a ditadura militar. As novas publicações intensificam a troca de ataques que se agravou nas últimas semanas.

BRASIL REBAIXA RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS

Em resposta às ofensas reiteradas, o governo brasileiro decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina, dispensando o embaixador argentino em Brasília e mantendo o vínculo no patamar de encarregados de negócios. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em entrevista ao jornal argentino *Clarín* que Milei precisa “parar com as agressões” contra Lula para que as relações possam ser normalizadas. Segundo o chanceler, o vínculo bilateral é primordial e superior a quem estiver no poder em determinado momento.

CRISE ENTRE OS DOIS PAÍSES

As desavenças entre Lula e Milei remontam à campanha presidencial argentina de 2023 e se intensificaram com a aproximação do argentino a setores da direita brasileira. A atual escalada é descrita por diplomatas como uma das mais graves crises diplomáticas entre Brasil e Argentina nas últimas décadas. O Itamaraty avalia que as ofensas atingem não apenas a pessoa do presidente, mas instituições brasileiras, incluindo o Supremo Tribunal Federal.