Os Estados Unidos deixaram de apenas perseguir carregamentos e passaram a levar força militar diretamente às rotas do narcotráfico. Em 23 de agosto, o Comando Sul anunciou um ataque contra uma embarcação no Pacífico Oriental que, segundo a inteligência americana, operava em uma rota conhecida do tráfico. Dois ocupantes, classificados pelo comando como “narcoterroristas”, morreram. O general Francis L. Donovan afirmou que a ofensiva mira os cartéis e que Washington não permitirá que atuem com impunidade no hemisfério.

É nesse cenário que a deputada republicana María Elvira Salazar elevou a pressão política sobre Brasília. Ela escreveu que Lula “precisa perder em outubro” para que o hemisfério esteja seguro e unido contra os narcotraficantes. Salazar não apresentou prova de participação pessoal do presidente brasileiro no tráfico, e sua declaração não representa um ato oficial da Casa Branca. Mas a fala revela como a resistência do governo Lula à estratégia americana contra facções e suas alianças regionais já entraram no debate de segurança dos Estados Unidos.

O avanço americano produz um alerta direto para o Brasil: operações militares no exterior não autorizam ações automáticas em território brasileiro, mas sanções financeiras, bloqueio de redes internacionais, cooperação de inteligência e pressão diplomática podem atingir organizações e pessoas ligadas ao crime transnacional. A questão agora é se Brasília ajudará a fechar o cerco ou transformará a soberania em justificativa para manter distância de uma guerra que já atravessa fronteiras.