Auxiliares de André Mendonça esperavam uma reta final mais quieta no Supremo e levaram o contrário. A coluna de Bruno Pinheiro, na Jovem Pan, publicada nesta terça-feira (29) às 19h17, relata que pessoas próximas ao ministro, que também é vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, acreditavam que a proximidade da votação de domingo reduziria os atritos. A ordem de Mendonça para tirar do ar conteúdos que associavam Flávio Bolsonaro a um ataque a Nossa Senhora Aparecida, e a reação de Flávio Dino, que derrubou essa ordem no domingo, surpreenderam esse entorno. A sequência de decisões e ofícios que veio em seguida enterrou a trégua que eles tinham desenhado para os cinco dias que faltam.

O que a coluna descreve como acúmulo, e que tem surpreendido os integrantes mais antigos da Corte, é o caminho pelo qual os pedidos eleitorais estão chegando. Em vez de processo novo, a petição entra numa ação que já tramita e já tem relator. É exatamente o desenho que Kassio Nunes Marques apontou na segunda-feira, no ofício 4307 a Edson Fachin: medidas urgentes sobre a eleição deste ano protocoladas inclusive em ações já em curso, com o risco de a escolha do relator virar escolha do resultado. Interlocutores ouvidos pela Jovem Pan acrescentam um contraste. Mendonça e Nunes Marques também mandaram retirar publicações que associavam Lula a facções criminosas ou que atacavam a honra do presidente, e aquelas ordens, na avaliação desses auxiliares, não mobilizaram militância nem tiveram a repercussão do caso da padroeira. Sobre o post de Antonio Tabet, as mesmas pessoas dizem que o texto fala em milicianos sem citar o nome de Flávio, mas que o contexto permite a associação e que a mensagem entra numa sequência de críticas à família Bolsonaro e de tentativas de ligar o candidato às milícias do Rio.

A quarta-feira, que era a data em que o plenário poderia olhar a decisão de Dino, não vai cumprir esse papel. A pauta divulgada pela assessoria do Supremo no início da noite desta terça não inclui a análise. A coluna vai além do calendário de amanhã. Nos bastidores, segundo o relato, Fachin tem sondado os colegas e encontrado falta de ambiente para discutir o tema antes da eleição de domingo, 4 de outubro. Não é um despacho com essa frase. É a leitura que a Jovem Pan atribui ao movimento do presidente, o mesmo tipo de interlocução que ele usou nas outras tensões das últimas semanas. A coluna lembra que ele completa um ano na presidência e que a tarefa, de novo, é baixar a temperatura entre os ministros às vésperas da urna.

O efeito, se a sondagem se confirmar no calendário, é que o país chega a domingo com a ordem de Mendonça de pé, porque Luiz Fux a restaurou na segunda até o plenário falar, e com o plenário sem hora. Dino pediu o colegiado. Fux submeteu a suspensão ao colegiado. Fachin, se não houver ambiente, segura os dois até a votação passar. Quem esperava trégua conta agora os dias sem sessão. Quem queria o julgamento público da briga entre o TSE e o Supremo também. A eleição de domingo acontece com os posts fora do ar e com a pergunta de quem manda na rede empurrada para depois do voto.