Luiz Bacci disse nesta terça-feira, dia 29, no Show do Bacci, que um presidenciável está reunido para discutir a saída da disputa e pode anunciar apoio a Flávio Bolsonaro já nesta quarta-feira, dia 30, mas não deu o nome, que acabou sendo apontado pelo comentarista Lucas Carvalho quando Bacci perguntou quem seria. Carvalho citou Romeu Zema como a possibilidade, por causa da pressão em cima do candidato do Novo e da aproximação com setores que defendem a candidatura de Flávio, numa informação apresentada como exclusiva do programa e que não veio em nota do Novo, do PL ou do próprio Zema.

O que Zema disse no mesmo dia, porém, aponta para o lado contrário, já que em entrevista a uma rádio de Ipatinga o ex-governador de Minas afirmou que negou um pedido de Nikolas Ferreira para retirar a candidatura e apoiar Flávio ainda no primeiro turno. Segundo a CBN, o pedido teria sido feito por mensagem na manhã de segunda-feira, dia 28, e Nikolas já teria feito o mesmo numa conversa em agosto, mas Zema respondeu que leva a candidatura até o fim, por compromisso com o partido, e repetiu que no segundo turno a direita se une contra o PT. Na segunda-feira, em Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte, ele foi direto: “Levo a minha proposta até o final. Derrotei já o PT duas vezes em Minas Gerais e sou o candidato ficha limpa, o candidato que não tem o rabo preso, o candidato que mais combate a corrupção, que é o grande câncer do Brasil. Conto com você nesse próximo domingo, dia 4.” Eduardo Girão, candidato a vice, disse ao UOL que a chance de desistência da chapa é zero, e a assessoria informou que a campanha está mantida.

A pressão que o programa transformou em anúncio para quarta-feira, no entanto, está documentada e não começou no estúdio, porque a Quaest divulgada na segunda-feira deu 1% a Zema no primeiro turno e, segundo a CBN, ele já ficou sem espaço no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, enquanto o Novo precisa eleger mais deputados federais do que em 2022 para não perder o fundo partidário. Ricardo Salles, ao deixar a disputa ao Senado em São Paulo para apoiar outros nomes da direita, sugeriu que Zema poderia fazer o mesmo na corrida presidencial, e o UOL apurou que a campanha de Flávio negocia a desistência com o entorno do ex-governador. No começo do ano, o nome de Zema chegou a ser cotado para vice tanto de Flávio quanto de Ronaldo Caiado, mas ele recusou nas vezes anteriores e voltou a recusar nesta terça-feira.

A quarta-feira, portanto, é por enquanto uma data que existe apenas no programa de Bacci, e se Zema aparecer amanhã e entregar o apoio, o pedido que Nikolas fez por mensagem vira voto declarado antes de domingo e o 1% da Quaest sai da coluna do Novo para a de Flávio. Se ele repetir o que disse em Ipatinga e em Caeté, porém, a chapa que ele próprio convocou para o dia 4 continua na urna e o Novo segue perseguindo a cláusula de barreira com um candidato que se apresenta como ficha limpa. O eleitor que quer a direita unida num nome só já ouviu as três versões, já que Nikolas pediu a saída, Zema disse que fica e Bacci marcou o anúncio para amanhã, mas, até que alguma nota oficial exista, o que está publicado é a recusa.