A ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon afirmou, em entrevista, que a tropa de choque aliada a Alexandre de Moraes dominou o debate da sessão de terça-feira (15) porque os aliados de Edson Fachin chegaram desorganizados. A jurista, primeira mulher de carreira a ocupar um tribunal superior e ex-corregedora do CNJ, descreveu o placar da tarde como resultado de preparação de um lado e dispersão do outro. Fachin presidiu, proclamou 4 a 3 contra juntar os processos de Moraes e André Mendonça e viu Flávio Dino pedir vista. O mérito — investigar ou não o colega — ficou para depois.

Calmon argumentou que uma nova sessão do Supremo, no mesmo clima, enfraqueceria ainda mais a Corte perante a opinião pública. A CNN registrou que a terça foi marcada por bate-bocas e críticas à condução de Fachin, com as 52 mensagens de Daniel Vorcaro em segundo plano. Cármen Lúcia pediu desculpas ao país. Dino chamou a sessão de “desastrosa”. Gilmar Mendes e Luiz Fux levaram a briga para o WhatsApp. A ex-ministra já havia dito à Revista Oeste, no começo do mês, que o caminho era abrir processo administrativo e afastar o magistrado sob suspeita enquanto a apuração corre.

O diagnóstico dela encaixa no que a TV Justiça mostrou. Moraes votou no próprio rito, Gilmar e Dino sustentaram a reunião dos autos, Zanin acompanhou. Do outro lado, Fachin, Mendonça, Fux e Cármen não fecharam uma linha única e perderam o relógio para a vista de 90 dias. Uma segunda sessão, no cálculo de Calmon, não recupera autoridade: devolve o Supremo ao palco em que o país já o viu se xingar. O grupo organizado saiu com o tempo. O desorganizado saiu com o desgaste. A opinião pública ficou com os dois.