Em 12 de agosto de 2026, em Jaipur, na Índia, Dilma Rousseff, presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco do Brics, reuniu-se com Abdolnaser Hemmati, presidente do Banco Central do Irã, à margem do encontro de ministros da Fazenda e chefes de bancos centrais do bloco. O próprio governo iraniano divulgou o encontro: Dilma teria destacado a importância da participação de Teerã no NDB e o “potencial” do país para a cooperação regional. As duas partes defenderam a continuidade das consultas técnicas para a adesão iraniana e o acesso futuro às linhas de financiamento da instituição. Hemmati disse à imprensa estatal que o Irã “em breve” se tornará membro do banco. A Reuters registrou o anúncio — e também o recado da área de comunicação do NDB: a instituição não confirmava a informação sobre a adesão.

O Irã entrou no Brics em 2024 e, desde então, busca assento e cota no NDB para abrir canal financeiro fora do dólar, sob sanções abrangentes dos Estados Unidos. O banco, criado em 2015 por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, já incorporou outros emergentes, mas a entrada de um país sob embargo pesado mexe com rating, correspondência bancária e exposição dos sócios. Em 2022, o próprio NDB suspendeu transações com a Rússia por “incertezas e restrições”. Dilma, reeleita no cargo até 2030, há anos defende financiamento em moedas locais e menor dependência do sistema dólares/Swift. Isso é posição pública. Não há, nas fontes oficiais consultadas, contrato assinado de empréstimo do NDB ao Irã nem sanção americana já aplicada ao banco por causa dessa reunião. O que existe é o encontro, o interesse declarado de Teerã e o endurecimento paralelo da guerra econômica anunciada por Washington — o secretário do Tesouro, Scott Bessent, falou em sanções a quem sustentar o aparato econômico iraniano.

Na avaliação editorial desta reportagem, o Brasil não pode fingir que a agenda de Dilma no NDB é um detalhe técnico sem efeito sobre o país. Sócia fundadora do banco e governo alinhado ao Brics, a República fica exposta se a instituição virar atalho para um regime sob sanção e em conflito. Multilateralismo não é salvo-conduto. Responsabilidade fiscal e soberania também se medem na conta que o sócio brasileiro pode pagar se o NDB for arrastado para o centro da disputa entre Teerã e Washington. O encontro de 12 de agosto não é prova de crime nem de empréstimo já liberado. É, isso sim, um sinal político claro: Dilma e o governo Lula seguem apostando numa arquitetura que corteja o Irã enquanto o custo dessa aposta permanece sem resposta pública no horário eleitoral.