O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o Ministério da Justiça preste, em dez dias, informações sobre o andamento da entrega à Rússia de Sergey Vladimirovich Cherkasov, russo preso no Brasil desde 2022 e apontado pela Polícia Federal e pelo FBI como agente da inteligência militar russa (GRU). No despacho de 20 de agosto, Fux citou o “extenso prazo” desde o trânsito em julgado da homologação da entrega voluntária, em 11 de abril de 2023, e o pedido da defesa por esclarecimentos.

Cherkasov usou documentos brasileiros falsos sob o nome de Victor Muller Ferreira, viveu no país por mais de uma década e foi detido após tentativa de ingresso na Holanda com passaporte brasileiro para estágio no Tribunal Penal Internacional. Foi condenado no Brasil por falsidade ideológica e cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília. A Rússia pediu a extradição alegando tráfico de drogas; os Estados Unidos também solicitaram a entrega por acusações de atuação como agente estrangeiro não registrado, pedido considerado improcedente pelo governo brasileiro em 2023. Em julho de 2026, o Ministério da Justiça publicou portaria de expulsão com vedação de retorno por 30 anos, condicionada ao fim da pena ou à liberação judicial.

A pasta afirmou que os procedimentos “seguem em tramitação” e que a decisão será tomada “no momento adequado”, considerando interesses nacionais e compromissos internacionais, e que a homologação do STF condicionou a entrega à conclusão de apurações no Brasil. A efetivação da saída depende do Poder Executivo. Até o momento não há data marcada para a entrega nem manifestação pública do Planalto sobre o destino do preso.