Vazaram neste domingo (30) as primeiras fotos de Nicolás Maduro atrás das grades. São duas. Na primeira, de corpo inteiro, o ditador deposto aparece de pé, de moletom e calça cinza, tênis branco, óculos escuros e cabelo grisalho, contra uma parede de bloco. Sorri e levanta as duas mãos em V. Na segunda, do peito para cima, faz o V com uma mão e segura o óculos com a outra. Dá para ver o relógio no pulso. A data gravada no canto é 25 de junho, às 18h05. A publicação saiu no perfil oficial dele no X, no Telegram e no Instagram.

A legenda chama as fotos de “pequeno presente de amor e esperança” para netos e aliados. O texto, atribuído a Maduro, diz que ele e Cilia Flores estão “firmes” e cita Romanos. Maduro está no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn desde 3 de janeiro, quando forças dos EUA o tiraram de Caracas. Nos Estados Unidos, ele responde a acusações de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e crimes de arma. Ainda não há julgamento final. A última vez em que foi visto em público foi numa audiência em julho.

Na avaliação editorial, a pose é propaganda de cela. O homem que quebrou a Venezuela, armou milícia e exportou miséria agora pede oração de moletom americano. Foto sorrindo não apaga o processo. Tampouco transforma acusado em mártir. Quem celebrou Maduro no Brasil deveria olhar o V da prisão com o mesmo rigor com que cobra cadeia para adversário. Uniforme cinza, parede de bloco, relógio no pulso: o poder acabou. Resta o palanque digital de quem já não manda em nada.