O Correio da Manhã publicou a coluna “Flávio Dino vai furar a fila do impeachment”. A tese é a de que o ex-governador do Maranhão está de passagem pelo Supremo, de olho em 2030 como sucessor de Lula, e que para isso trabalha pela reeleição do presidente. O texto lembra que, na primeira passagem pela magistratura, em primeira instância, ele renunciou e seguiu a carreira política, e compara o estilo ao de Cristiano Zanin, a quem descreve como quem pretende ficar e por isso não escracha a relação com os pares. A frase que fecha o argumento é uma aposta, não um protocolo: na próxima legislatura, não seria surpresa se Dino passasse à frente de Alexandre de Moraes na lista de ministros a receber pedido de impeachment no Senado.

Os episódios que a coluna empilha têm data, a começar pela sucessão do Rio, na qual Dino pediu vista quando o placar estava em 4 a 1 pela eleição indireta, com votos de Luiz Fux, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Cármen Lúcia. A ala do Supremo que também compõe o TSE entendeu a intervenção como prematura, e Daniela Lima registrou a irritação de Cármen Lúcia, então presidente da corte eleitoral, episódio que a coluna chama de falta de respeito ao TSE. No caso da Polícia Federal, o embate com Mendonça foi a recolocação, por Dino, dos diretores que o colega tinha afastado, entre eles o diretor-geral Andrei Rodrigues. No domingo, a pedido do humorista Antonio Tabet, Dino derrubou a ordem de Mendonça que tinha tirado do ar os posts ligando Flávio Bolsonaro à retirada do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. A coluna descreve esse despacho como o retorno de uma fake news de Lula contra o candidato, e na segunda-feira Luiz Fux restabeleceu a retirada e escreveu que a palavra final é da corte eleitoral. Nesta quarta, o plenário virtual do TSE, pautado por Nunes Marques, julga a ordem de Mendonça das 10h à meia-noite, enquanto Edson Fachin não levou ao Supremo as decisões de Dino e de Fux.

No sábado, dia 26, Dino estava no casamento de Alexandre Barci de Moraes, filho do ministro e de Viviane Barci, na Casa Fasano, em São Paulo. A coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, registrou também Gilmar Mendes e o procurador-geral Paulo Gonet. O Correio da Manhã chama a festa de milionária e lê a presença como prestígio a Moraes no momento em que os dois poderiam dividir a frente da fila. No Maranhão, a Assembleia pediu socorro a Fachin na sexta-feira, dia 25 contra ordens de Dino que deixaram três cadeiras vazias no Tribunal de Contas. O ministro travou a nomeação de Flávio Costa, amigo do governador Carlos Brandão, que foi seu vice e hoje é adversário, e no mês passado afastou o presidente do tribunal, Daniel Brandão, sobrinho do governador, até fevereiro de 2027, em inquérito sobre um assassinato em São Luís. Brandão disse à Folha que o grupo de Dino busca uma rendição política e que o ministro deveria se declarar suspeito nos casos da família. A coluna escreve que, aberta essa caixa, sobram razões para questionar o uso da caneta.

O episódio do carro é o ponto em que a coluna afirma o que o ministro nega, já que o texto fala em flagrante de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão a caminho da praia e em quebra do sigilo da fonte. O vídeo de 2023 voltou a circular neste ano, e Dino disse que o carro daquelas imagens é particular, e o TJ-MA, em 2024, negou que o automóvel fosse da corte. Em novembro de 2025, o jornalista Luís Pablo publicou que uma Hilux blindada, comprada pelo tribunal com o fundo de segurança dos magistrados, era usada pela família em São Luís. O gabinete de Dino respondeu que jamais houve uso irregular e que o carro foi cedido a pedido da segurança do Supremo, em acordo de cooperação. Quem acabou investigado, porém, foi o jornalista, contra quem Alexandre de Moraes determinou busca, o celular foi apreendido, e a defesa e a Abraji sustentam que a fonte ficou exposta. A fila de que a coluna fala já existe no papel, porque o Aos Fatos contou nove pedidos de impeachment contra Dino no Senado, um deles protocolado em setembro por um advogado, nenhum por Flávio Bolsonaro, e Moraes segue na frente em número de representações, mas a aposta do Correio da Manhã é outra, a de que o Senado que o eleitor escolhe no domingo, se abrir essa gaveta, pode encontrar Dino na frente, com o passivo que a coluna lista já escrito: a vista do Rio, os diretores da PF, a ordem de domingo sobre Aparecida, as três cadeiras vazias no Maranhão e o sábado na Casa Fasano.