COORDENADOR DO MBL DIZ QUE VITÓRIA DE FLÁVIO É PIOR PARA O GRUPO DO QUE A DE LULA
Ricardo Almeida confirmou a frase nesta terça e chamou o bolsonarismo de obstáculo a uma direita competente
Ricardo Almeida, coordenador nacional do MBL e curador da Revista Valete, disse que, do ponto de vista tático, a vitória de Flávio Bolsonaro nesta eleição é pior para o movimento do que a vitória de Lula. A frase circulou nesta terça-feira, dia 29, num trecho gravado no estúdio do próprio MBL. “Do ponto de vista tático, a vitória do Flávio Bolsonaro é pior do que a do Lula no sentido óbvio de que teremos uma continuidade da direita majoritária, que obstaculiza diretamente o nosso crescimento.” No trecho, a direita majoritária é o bolsonarismo, e o crescimento de que ele fala é o do próprio MBL.
Almeida não recuou e, no fim da tarde, escreveu no X: “Falei e falaria de novo.” Em seguida, completou o raciocínio que o corte tinha deixado no campo tático. “Obviamente, a direita bolsonarista é um obstáculo para o crescimento de uma alternativa à direita que seja competente, propositiva e honesta, o que o bolsonarismo não é.” A conta feita por ele não é a de que Lula governe melhor o Brasil, mas a de que quatro anos a mais de petista no Planalto deixam o campo da direita sem o nome que hoje o ocupa, e esse vazio é o que o MBL precisa para crescer. A vitória de Flávio, na mesma conta, congela o movimento no lugar de coadjuvante.
O partido dessa conta tem nome e candidato, já que o Missão, legenda fundada pelo MBL, lançou Renan Antonio Ferreira dos Santos à Presidência com o número 14, registro que consta como deferido na carga do Tribunal Superior Eleitoral processada nesta terça-feira. Renan nasceu em São Paulo em 14 de fevereiro de 1984, declarou-se empresário e superior incompleto. Enquanto o candidato da legenda está na urna, o coordenador nacional explica à militância que o resultado útil para o grupo não é a vitória de quem lidera a direita, mas a derrota desse nome, ainda que o vencedor seja Lula, porque a continuidade do bolsonarismo como força majoritária, nas palavras dele, trava o MBL.
A cinco dias do primeiro turno, o eleitor que ouviu o MBL se apresentar como direita ouve agora o coordenador tratar o bolsonarismo como obstáculo e a vitória de Flávio como o cenário taticamente pior. Almeida não falou em aliança com o PT, nem em voto em Lula, nem em retirada de Renan, e sim em crescimento do movimento. A frase que ele disse que repetiria separa as duas coisas que a sigla costumava juntar: o interesse do MBL e o interesse de derrotar Lula, e na reta final o coordenador escolheu o primeiro.

