Colômbia avança para tratar facções como terroristas enquanto Brasil resiste
Governo De la Espriella prepara estatuto antiterrorista e aproxima política de segurança da estratégia dos Estados Unidos
A Colômbia decidiu abandonar a linguagem branda diante de guerrilhas e narcotraficantes. O governo de Abelardo de la Espriella prepara uma reforma para definir juridicamente organizações terroristas e criar uma lista de grupos submetidos a instrumentos mais duros de combate. A mudança ocorre no pior surto de violência da última década e rompe com a política de negociações adotada pelo governo anterior de Gustavo Petro.
O contraste com o Brasil é inevitável. Enquanto Donald Trump amplia a ofensiva regional contra o narcotráfico, Lula sustenta que facções brasileiras aterrorizam comunidades, mas não devem ser enquadradas como terroristas. A classificação colombiana ainda dependerá do Congresso e exigirá critérios claros para não atingir garantias individuais. Mesmo assim, Bogotá reconhece um fato que Brasília frequentemente tenta contornar com o discurso de soberania: grupos armados que dominam territórios, impõem regras e atacam o Estado já funcionam como poderes paralelos — e tratá-los apenas como criminalidade comum pode ser insuficiente.

