A eleição brasileira ultrapassou as fronteiras — e Lula agora vê seu futuro político discutido diante do público americano. Em programa exibido nesta terça-feira (25), a Fox Noticias apresentou a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro como o grande teste para a guinada conservadora na América Latina. O debate destacou a dimensão internacional do pleito e o peso político de Donald Trump, que já compartilhou conteúdo classificando a eleição brasileira como um desafio decisivo no continente. Com Lula e Flávio tecnicamente próximos em levantamentos recentes, uma sinalização pública de Washington pode mobilizar a direita, ampliar a pressão sobre o governo petista e influenciar a agenda da campanha.

Trump dispõe de instrumentos capazes de alterar o ambiente político — tarifas, restrições de vistos, sanções, negociação comercial e discursos sobre liberdade de expressão e segurança regional —, mas isso não lhe dá o poder de decidir o voto brasileiro. A própria reportagem da Fox é uma análise, não o anúncio de uma operação para derrotar Lula; e Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada no Brasil, afirmou que não pretende se envolver na eleição. O risco para o Planalto é político: quanto mais Lula transforma o confronto com os Estados Unidos em crise diplomática, mais oferece à oposição o argumento de que o Brasil precisa mudar de rumo. Ao mesmo tempo, uma pressão externa excessiva também pode provocar reação nacionalista e beneficiar o petista.