Trump pode pressionar Brasília, mas romper com o Brasil também teria um preço para os Estados Unidos. Dados do USTR mostram que o comércio bilateral de bens e serviços alcançou US$ 135,7 bilhões em 2025. Os americanos mantiveram superávit de US$ 14,4 bilhões em bens e de US$ 27,4 bilhões em serviços, enquanto cadeias industriais dos dois países permanecem conectadas por petróleo, aço, aeronaves, máquinas, tecnologia e alimentos. O Brasil também possui minerais críticos cobiçados por Washington para reduzir a dependência da China.

Isso não significa que os Estados Unidos dependam do Brasil a ponto de ficarem sem alternativas, nem que Brasília esteja protegida de tarifas. Significa que uma ruptura completa destruiria negócios, empregos e cadeias estratégicas dos dois lados — e atingiria interesses americanos que hoje lucram com o mercado brasileiro. A posição inteligente para o Brasil não é hostilizar Washington nem se submeter automaticamente, mas usar seu peso comercial, territorial e mineral para negociar. O problema da política externa de Lula é transformar ativos valiosos em discursos ideológicos sem extrair deles garantias concretas para segurança, investimentos e acesso a mercados.