O analista de Internacional da CNN Brasil Lourival Sant’Anna publicou nesta terça-feira (15) que o governo de Donald Trump hesita em retomar sanções da Lei Magnitsky contra ministros do Supremo Tribunal Federal por receio de favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de outubro. Segundo a apuração dele, a reaplicação da medida contra Alexandre de Moraes está pronta e pode ser estendida a outros ministros. Quem trava, agora, é o Departamento de Estado — o inverso de julho de 2025, quando a diplomacia puxava a sanção e o Tesouro resistia.

A leitura em Washington, escreve Sant’Anna, é que as sanções do ano passado, somadas ao tarifaço em que Trump citou o processo contra Jair Bolsonaro, impulsionaram Lula. Foi esse diagnóstico que levou o americano a se aproximar do petista e o Tesouro a tirar Moraes da lista em dezembro. Nesta segunda (14), o UOL ouviu autoridades dos EUA segundo as quais a Magnitsky contra Moraes, e eventualmente contra Flávio Dino e Gilmar Mendes, poderia sair a qualquer momento. Dino usou essa hipótese no plenário para falar em “pressão ilegítima” e “país soberano”.

A máquina está armada. O freio é eleitoral. Trump não quer repetir o erro de 2025, quando a punição ao xerife virou combustível do candidato que ele tentava enfraquecer. Enquanto o STF discute se investiga Moraes e o decano xinga colegas no WhatsApp, a Casa Branca calcula se a tornozeleira americana ajuda Flávio Bolsonaro ou devolve palanque a Lula. A Magnitsky pronta e parada é o recado: o dossiê brasileiro pesa, o calendário de outubro pesa mais.