A CNN en Español publicou que a TV Globo cancelou o último debate antes da eleição de domingo, 4 de outubro, depois de duas decisões de última hora mudarem as regras combinadas. O texto diz que o aviso saiu cerca de uma hora antes, quando Augusto Cury, Romeu Zema e Ronaldo Caiado iam ao estúdio, e que Lula e Flávio já tinham dito que não iam. A primeira decisão, da ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu o púlpito vazio de Lula e as perguntas dos presentes ao ausente, a pedido da coligação do presidente, com o argumento de desequilíbrio entre os participantes. A segunda, do ministro Gilmar Mendes, do STF, mandou incluir Renan Santos, do Missão, que as regras da emissora tinham deixado de fora.

A Al Jazeera publicou na madrugada desta sexta uma matéria assinada pelas agências AFP e AP. O texto diz que a Globo, a emissora mais vista do país, cancelou o debate porque duas decisões, uma da Justiça Eleitoral e outra do Supremo, criaram “incerteza jurídica”. E registra a fala de Flávio, na live de quinta: ele não foi por causa da “censura imposta pelo tribunal eleitoral”, referindo-se à proibição de manter a cadeira vazia de Lula no palco. O Valor, na edição em inglês, também levou a nota da Globo: tradição de debate, dever de promover a democracia, e cancelamento porque as decisões foram interferência indevida na liberdade de organizar o encontro.

O que saiu do Brasil, então, não foi uma briga de bastidor. Foi o último debate antes do primeiro turno fechado por um despacho do TSE e outro do STF, com o nome de Estela, o nome de Gilmar e a palavra censura na boca do candidato que lidera a oposição. Domingo é 4 de outubro.