O assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou em entrevista ao canal Tutaméia TV que o Escudo das Américas, iniciativa de cooperação de segurança liderada por Donald Trump, representa uma tentativa de cerco ao Brasil. Segundo ele, o argumento de combate ao crime organizado é falso porque trata a questão como se fosse terrorismo internacional. A declaração foi dada em contexto de entrevista ampla e repercutida pela Folha e outros veículos nesta semana.

O Escudo das Américas é uma aliança dos Estados Unidos com 14 países latino-americanos lançada em março. O grupo reúne países alinhados à Casa Branca, como Argentina, El Salvador e Colômbia, e apoiou sanções americanas a 24 organizações criminosas da região, entre elas o PCC e o Comando Vermelho, classificadas pela Casa Branca como narcoterroristas. A ofensiva prevê restrições migratórias, congelamento de bens e outras medidas. O governo Lula se opõe à classificação dessas facções como organizações terroristas e vê risco à soberania.

Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno, já afirmou que pretende integrar o Brasil à iniciativa caso seja eleito. Em conversa recente com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, o candidato do PL reafirmou essa intenção. Amorim argumenta que outros governos americanos tentaram influenciar o Brasil, mas que a atual iniciativa tem caráter de intervenção ameaçadora e de dominação regional. A posição do governo brasileiro é de crítica à forma como o crime organizado é enquadrado e às possíveis consequências para a soberania nacional.