Nesta segunda-feira, 12, a Direção Nacional de Migrações da Argentina cancelou a residência permanente do jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. e proibiu seu ingresso no país por cinco anos. A medida foi aplicada de manhã no Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, quando ele desembarcou e foi notificado. As autoridades ordenaram o retorno imediato a São Paulo. Tomaz Jr., vinculado ao PT e conhecido por críticas e insultos a Javier Milei nas redes, disse que não sabia da decisão, assinada em 5 de agosto, até o momento do desembarque.

A resolução fundamenta a cancelamento no descumprimento das condições da residência permanente, obtida em 20 de janeiro de 2022, durante o governo de Alberto Fernández. Segundo o documento, ele permaneceu apenas 153 dias no território argentino nos últimos quatro anos e seis meses. O órgão também não verificou atividade laboral, estudos ou vínculos familiares que justificassem a continuidade do status. O artigo segundo da disposição proíbe o ingresso por cinco anos, conforme o artigo 63 da Lei 25.871. Tomaz Jr. afirmou ao UOL que o documento ia até 2037 e que faz viagens frequentes, com 36 dias no país só neste ano. Ele disse que pode recorrer da sanção, mas não recupera a residência permanente.

O contexto político é público. Tomaz Jr. teve embates em julho com dirigentes libertários, entre eles Juan Pablo Carreira (Juan Doe), diretor de Comunicação Digital do governo. Infobae e outros veículos registram que ele publicou desqualificações ao presidente e à soberania argentina. Ele escreve um livro sobre a gestão Milei, com previsão de publicação em fevereiro de 2027. O governo argentino afirma que a decisão responde a descumprimentos legais da residência, não a conteúdo de opinião. A aplicação prática ocorreu hoje, com a notificação e o retorno forçado ao Brasil.