O caso Lulinha pode deixar os gabinetes sigilosos da Polícia Federal e ganhar um palco que o governo Lula dificilmente conseguirá controlar: uma comissão de inquérito no Congresso. O senador Carlos Viana (PSD-MG), ex-presidente da CPMI do INSS, iniciou a coleta de assinaturas para investigar a possível atuação de Fábio Luís Lula da Silva na abertura de portas do governo a interesses empresariais privados.

O requerimento pretende esclarecer as relações de Lulinha com a lobista Roberta Luchsinger, o “Careca do INSS”, empresas e intermediários ligados a negociações de medicamentos à base de canabidiol. Viana quer saber quem facilitou acessos, quais autoridades foram procuradas e se houve pagamentos ou vantagens pela intermediação. Lulinha é investigado, mas nega irregularidades e não foi condenado. A CPI não substituiria a Polícia Federal ou o Judiciário; poderia convocar depoentes, requisitar documentos e quebrar sigilos mediante decisões fundamentadas.

A comissão ainda não existe. Por ser uma CPMI, o pedido precisa de pelo menos 27 senadores e 171 deputados, além da leitura pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre. É justamente aí que começa a batalha política: cada parlamentar terá de escolher entre permitir uma investigação pública sobre o filho do presidente ou ajudar o Planalto a manter o caso longe dos holofotes do Congresso.