Levantamento nacional do projeto Placar STF identificou 61 candidatos ao Senado com registros classificados como favoráveis ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Desse grupo, 42 possuem evidências associadas nominalmente a Alexandre de Moraes. Os números constam da base nacional atualizada em 17 de agosto de 2026.

A lista reúne candidatos, e não 61 senadores em exercício. Também não significa que todos defendam especificamente o impeachment de Moraes: parte declarou apoio de maneira genérica à responsabilização de ministros do STF, sem indicar um nome.

PLACAR ACOMPANHA 331 CANDIDATOS EM TODO O PAÍS

O universo analisado pelo Placar STF é composto por 331 candidatos ao Senado. Segundo a classificação da plataforma, 61 são favoráveis ao impeachment de ministros, 23 são contrários, três possuem registros nas duas direções e 244 não tiveram manifestação localizada.

Entre os 61 favoráveis, dois aparecem como confirmados diretamente, 42 foram classificados com base em declarações públicas e 17 a partir de informações publicadas pela imprensa. O Placar STF é uma iniciativa privada ligada a defensores do impeachment, não um levantamento oficial do Senado ou do TSE; por isso, suas classificações devem ser atribuídas à plataforma e podem ser atualizadas durante a campanha.

A ausência de manifestação não equivale a oposição. Os 244 candidatos sem posição registrada podem anunciar apoio, rejeição ou entendimento diferente ao longo da campanha.

42 CITAM MORAES E 44 DECLARAM APOIO GENÉRICO

O levantamento registra 42 candidatos com evidências que citam nominalmente Alexandre de Moraes e 44 que possuem manifestação genérica favorável ao impeachment sem indicação exclusiva de um ministro.

Esses grupos possuem sobreposição. Portanto, os números 42 e 44 não podem ser somados. Uma mesma pessoa pode ter feito uma declaração sobre Moraes e, em outro momento, defendido genericamente a responsabilização de ministros.

VEJA A LISTA DOS 61 CANDIDATOS POR ESTADO

  • AC: Eduardo Velloso (PRD/Solidariedade), Dr. Junior Feitoza (DC), Sérgio Petecão (PSD)
  • AL: Alfredo Gaspar (PL), Davi Davino Filho (Republicanos)
  • AM: Capitão Alberto Neto (PL), Plínio Valério (PSDB/Cidadania), Wilson Lima (União/PP)
  • AP: Lucas Barreto (PSD)
  • CE: Capitão Wagner (União/PP)
  • DF: Bia Kicis (PL), Sebastião Coelho (Novo)
  • ES: Evair de Melo (Republicanos), Maguinha Malta (PL), Marcos do Val (Avante), Sergio Meneguelli (PSD), Callegari (DC)
  • GO: Gustavo Gayer (PL), Ozeias Varão (PL), Vanderlan Cardoso (PSD)
  • MA: Cidônio Gonçalves (PL), Simplício Araújo (DC)
  • MG: Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL), Marco Antônio Superman (Novo)
  • MS: Capitão Contar (PL)
  • MT: Galvan (Avante), José Medeiros (PL), Margareth Buzetti (União/PP), Mauro Mendes (União/PP)
  • PA: Delegado Éder Mauro (PL), Zequinha Marinho (Podemos)
  • PB: André Gadelha (MDB)
  • PE: Carlos Sant’Anna (Novo)
  • PI: Antônio José Lira (Avante), Antônio Barros (Novo)
  • PR: Alexandre Curi (Republicanos), Cristina Graeml (PSD), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL)
  • RJ: Carlos Portinho (PL), Carlos Jordy (PL)
  • RN: Styvenson Valentim (Podemos), Coronel Hélio (PL)
  • RO: Dr. Fernando Máximo (PL), Luis Fernando (PSD), Mariana Carvalho (Republicanos)
  • RR: Nicoletti (PL)
  • RS: Marcel Van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB/Cidadania), Sanderson (PL)
  • SC: Carol de Toni (PL), Esperidião Amin (União/PP)
  • SE: Alessandro Vieira, identificado na base como Delegado Alessandro (MDB), Coronel Rocha (PL), Rodrigo Valadares (PL)
  • SP: André do Prado (PL), Guilherme Derrite (União/PP), Ricardo Salles (Novo)
  • TO: Eduardo Gomes (PL), Alexandre Guimarães (MDB)

PROMESSA DE CANDIDATO NÃO REPRESENTA VOTO ATUAL

As declarações possuem relevância eleitoral, mas não constituem votos já disponíveis no Senado. Os candidatos ainda precisam vencer a eleição, tomar posse, manter o posicionamento e participar de uma eventual deliberação. Apenas 13 dos nomes listados são senadores titulares que buscam novo mandato; os demais não integram atualmente a Casa.

Em 2026, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado. Mesmo uma eleição expressiva de candidatos favoráveis não garante automaticamente a abertura de processo nem a condenação de um ministro.

Promessas de campanha não são juridicamente vinculantes e podem mudar depois da posse ou diante das provas de um caso concreto. O levantamento funciona como instrumento de acompanhamento e cobrança, não como previsão definitiva da composição futura do Senado.

CONDENAÇÃO EXIGE APOIO DE DOIS TERÇOS DO SENADO

A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. A matéria está prevista no artigo 52, inciso II, da Constituição e é disciplinada pela Lei 1.079/1950, além das regras regimentais e interpretações aplicáveis ao procedimento.

Uma eventual condenação exige o voto de dois terços dos 81 senadores, o equivalente a 54 votos. Portanto, mesmo que os 61 candidatos favoráveis fossem eleitos — cenário impossível porque apenas 54 cadeiras estão em disputa e vários competem entre si nos mesmos estados — ainda seria necessário considerar os 27 senadores com mandato em andamento e superar todas as etapas do processo.

O impeachment não pode ser utilizado apenas como punição por decisões judiciais impopulares. É necessária uma acusação juridicamente enquadrada como crime de responsabilidade, com direito de defesa e observância do devido processo.

PRESIDENTE DO SENADO POSSUI PAPEL DECISIVO NO INÍCIO

O presidente do Senado exerce função central no processamento inicial das denúncias, conforme o rito atualmente aplicado. Ele recebe os pedidos e decide sobre o encaminhamento institucional capaz de permitir ou impedir o avanço da tramitação.

Esse poder não significa que o presidente possa cassar unilateralmente um ministro. A condenação depende do procedimento constitucional e da votação qualificada do plenário do Senado; no julgamento, a sessão é presidida pelo presidente do STF, como determina a Constituição.

A escolha do futuro presidente da Casa será, portanto, tão importante quanto a eleição dos novos senadores. Uma maioria favorável pode permanecer sem efeito prático se os pedidos não avançarem nas etapas iniciais.

GILMAR MENDES DIZ QUE BANDEIRA É DIFÍCIL DE EXECUTAR

O ministro Gilmar Mendes avalia que o impeachment de integrantes do Supremo tem sido utilizado como bandeira eleitoral e considera difícil sua execução prática.

A crítica serve de contraponto ao movimento. Para ministros e defensores da Corte, ameaças recorrentes de impeachment podem ser usadas como pressão política sobre decisões judiciais e comprometer a independência do Judiciário.

Por outro lado, a independência judicial não elimina a responsabilidade constitucional. Ministros do STF não estão acima da lei, e o Senado possui competência expressa para analisar acusações devidamente fundamentadas.

LISTA TRANSFORMA STF EM TEMA CENTRAL DA ELEIÇÃO

O levantamento revela que o comportamento do Supremo deixou de ser assunto restrito ao meio jurídico e passou a influenciar diretamente as campanhas para o Senado.

Para o Editorial Central, a divulgação dos posicionamentos é positiva porque permite ao eleitor comparar promessas e cobrar coerência depois da eleição. A defesa do impeachment deve estar vinculada a fatos e fundamentos legais, e não apenas a slogans.

A lista não garante a saída de Moraes nem de qualquer outro ministro. Ela demonstra, porém, que uma parcela relevante dos candidatos está disposta a levar ao Senado a discussão sobre limites, responsabilidade e controle institucional do Supremo.

Foto de capa: Edilson Rodrigues/Agência Senado, via Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.