O caso Lulinha pode deixar os inquéritos policiais e entrar no centro do Congresso. O senador Carlos Viana (PSD-MG) iniciou a coleta de assinaturas para criar uma CPMI destinada a investigar Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, e pediu que eleitores pressionem deputados e senadores.

Viana quer esclarecer quem abriu portas no governo, quais interesses privados foram intermediados e qual teria sido o papel de Lulinha nas tratativas reveladas pela Polícia Federal. Após manifestações de Hélio Lopes, Cabo Gilberto Silva e Mario Frias, o plano inicial de uma CPI no Senado foi ampliado para uma comissão mista.

Pressão contra a blindagem

Para a direita bolsonarista, a CPMI representa a chance de furar uma possível blindagem institucional e levar depoimentos, documentos e autoridades ao escrutínio público. Mensagens atribuídas a Lulinha e à lobista Roberta Luchsinger mencionam reuniões com integrantes do governo e negociações envolvendo o Ministério da Saúde. A PF apura suspeitas de tráfico de influência, mas ainda não há condenação.

A comissão ainda não existe. O requerimento precisa do apoio de pelo menos 27 senadores e 171 deputados. Mesmo atingido o número, caberá ao Congresso conferir os requisitos formais e instalar o colegiado. Uma CPMI pode convocar testemunhas, requisitar documentos e aprovar quebras de sigilo fundamentadas, mas não condena ninguém; ao final, encaminha suas conclusões aos órgãos competentes.

Risco para Lula em plena eleição

Se instalada, a CPMI poderá manter o caso diariamente no noticiário durante a campanha de 2026 e enfraquecer a promessa de Lula de que seu filho não terá privilégios. A defesa de Lulinha nega irregularidades, afirma que as mensagens foram divulgadas de forma seletiva e atribui motivação política aos vazamentos. Justamente por isso, uma investigação com regras claras, contraditório e publicidade será decisiva para separar perseguição política de responsabilização legítima.

Fontes: anúncio do senador Carlos Viana, O Antagonista, Agência Senado e informações públicas das investigações. Lulinha não foi condenado e mantém a presunção de inocência.