BRASIL APARECE ENTRE AS 30 ECONOMIAS COM MAIOR DÍVIDA PÚBLICA EM RELAÇÃO AO PIB EM 2026
Projeções do FMI colocam o país na 22ª posição, com dívida bruta estimada em 96,5% do PIB. Quase toda a dívida é em moeda nacional, mas o custo dos juros continua elevado. Bolívia aparece na 19ª posição.
O Brasil figura entre as 30 economias com maior relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto em 2026, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional. O país ocupa a 22ª posição, com dívida bruta estimada em 96,5% do PIB. Os dados, que consideram a dívida bruta do governo geral, foram projetados pelo FMI em abril de 2026.
A POSIÇÃO DO BRASIL E DA BOLÍVIA
A Bolívia também aparece no ranking, na 19ª posição, com dívida equivalente a 102,7% do PIB. O levantamento do FMI mostra o Brasil em nível superior à média das economias emergentes, estimada em cerca de 78,9% do PIB para o mesmo ano. A trajetória de alta da dívida brasileira vem sendo registrada desde 2023 e, segundo as projeções, deve continuar nos próximos anos, podendo superar 100% do PIB já em 2027.
A COMPOSIÇÃO DA DÍVIDA BRASILEIRA
O Brasil tem uma característica que reduz parte da exposição cambial: quase toda a sua dívida é denominada em moeda nacional. Dados do Banco Mundial apontam que cerca de 95% da carteira estava em moeda local. Isso diminui o risco de valorização do dólar ou de outras divisas exteriores pressionar o serviço da dívida de forma abrupta.
O PRINCIPAL PROBLEMA: O CUSTO DOS JUROS
O principal problema está no custo do endividamento. O FMI registra que o Brasil destinou 8,28% do PIB ao pagamento de juros da dívida em 2024. Dados compilados pelo Our World in Data mostram que os juros consumiram 24,14% das despesas do governo naquele ano. Esse percentual elevado reduz o espaço fiscal para investimentos e gastos essenciais, pressionando as contas públicas mesmo com a dívida majoritariamente doméstica.
OS LÍDERES DO RANKING
Na liderança do ranking de 2026 estão o Japão, com 204,4% do PIB; Cingapura, com 171,9%; e o Sudão, com 169,1%. O levantamento ressalta, porém, que uma relação dívida/PIB elevada não significa necessariamente risco de calote. Fatores como a moeda de denominación da dívida, a composição dos títulos, o nível de reservas internacionais, a taxa de juros e a capacidade de financiamento do governo também são determinantes para avaliar a sustentabilidade.
Para a direita e setores críticos à gestão petista, a escalada da dívida sob o governo Lula reforça o alerta sobre a fragilidade fiscal do país e o peso crescente dos juros sobre o Orçamento, limitando a capacidade de crescimento e de investimento público nos próximos anos.

