Banco Ueno quebra no Paraguai, presidente do BC renuncia e oposição pede impeachment de Santiago Peña
O Banco Central do Paraguai iniciou o procedimento de resolução do Ueno Bank após a solvência da instituição cair abaixo de 50% do mínimo legal exigido. A medida afetou cerca de 3 milhões de clientes e colocou em risco centenas de milhões de dólares em fundos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previsão Social (IPS).
O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, anunciou sua renúncia. Carvallo havia presidido o próprio Ueno até agosto de 2023, quando foi nomeado por Santiago Peña para o cargo no BC. A nomeação foi criticada como conflito de interesses desde o início.
Peña foi sócio comercial do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025. O banco e o governo negam irregularidades, mas a oposição prepara pedido de impeachment (juicio político) contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. Senadores apontam falta de controles e vínculos políticos como causas da crise.
Clientes relataram bloqueio de cartões e fechamento de agências, com aglomerações e momentos de tensão em várias sucursais. O Fundo de Garantia cobre depósitos até cerca de G. 228 milhões por pessoa, mas o processo de devolução ainda está em andamento.
Peña pediu a renúncia de Carvallo e anunciou um projeto de lei para usar o Fundo de Garantia no pagamento imediato aos poupadores e na devolução dos recursos públicos. A oposição afirma que o caso expõe falhas graves de supervisão e coloca em risco a reputação do Paraguai como destino de investimentos.
O episódio testa a imagem de estabilidade que o país construiu nos últimos anos. Com milhões de clientes afetados e recursos previdenciários envolvidos, a crise do Ueno Bank se tornou o principal problema político do governo Peña.

