A crítica agora partiu da própria Folha de S.Paulo — e não de um colunista isolado, mas da posição institucional do jornal. No editorial “Moraes e Dino avançam contra a livre informação”, publicado em 19 de agosto, a Folha afirma que os ministros “dobraram a aposta em maus hábitos e ideias” e considera “mais que justas” as críticas à decisão de Alexandre de Moraes que autorizou buscas e apreensões capazes de revelar fontes do jornalista maranhense Luís Pablo.

O caso nasceu de reportagens sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais por Flávio Dino e sua família. Para a Folha, a operação fragilizou a garantia constitucional do sigilo da fonte; Moraes e Dino sustentam que a investigação apura perseguição, ameaças e obtenção criminosa de informações, e que a proteção jornalística não pode servir de escudo para delitos. A apuração de crimes é legítima, mas alcançar a fonte por meio do material de um jornalista cria um precedente perigoso: fontes passam a temer denunciar autoridades justamente quando o interesse público exige fiscalização.

O editorial foi ainda mais duro ao tratar da proposta dos ministros de rediscutir a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. A Folha disse que a ideia “recende a autoritarismo” e lembrou que a exigência, derrubada pelo STF em 2009, nasceu durante a ditadura e violava as liberdades de expressão e informação. O recado do jornal é inequívoco: depois de uma decisão que atingiu o sigilo da fonte, Moraes e Dino responderam propondo mais controle sobre quem pode informar — movimento que, na avaliação da Folha, amplia a ameaça à imprensa livre.