Uma mensagem, uma reunião confirmada e bilhões anunciados semanas depois: a nova revelação coloca o Palácio do Planalto no centro de uma sequência que precisa ser esclarecida. Segundo material da Polícia Federal divulgado pelo Poder360 e por outros veículos, Roberta Luchsinger avisou Lulinha, em 22 de maio de 2024, que o governador Carlos Brandão seria recebido no Planalto e afirmou que Lula iria “prosseguir com aquela liberação da obra dele”. Ela ainda disse ter informado ao governador que o filho do presidente havia conseguido a agenda. O encontro com o então chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro consta no registro oficial daquele dia.

Um mês depois, Lula desembarcou em São Luís para anunciar novos investimentos. Entre os compromissos estavam R$ 9 bilhões em transmissão de energia, R$ 482 milhões para o Luz para Todos e R$ 237 milhões para mobilidade na Avenida Litorânea, além de outras ações. O dado de R$ 59 bilhões exige precisão: ele representa o volume global do Novo PAC destinado ao Maranhão e já havia sido divulgado em novembro de 2023, antes da mensagem. Portanto, a proximidade temporal justifica investigação rigorosa, mas ainda não prova que todo o pacote foi liberado por influência de Lulinha ou como resultado daquela reunião.

Até onde isso pode chegar em Lula? Politicamente, já chega ao presidente porque a mensagem atribui a ele conhecimento sobre a liberação e descreve seu filho como articulador de acesso ao Planalto. Juridicamente, porém, seria necessário autenticar o diálogo e comprovar que Lula participou conscientemente de uma negociação ilícita, praticou ato de ofício para atender interesse privado ou sabia de eventual vantagem indevida. A PF deverá cruzar agendas, processos administrativos, pagamentos e decisões posteriores. Brandão nega depender de intermediários; a defesa de Lulinha denuncia vazamentos seletivos; e o Planalto não apresentou resposta à reportagem original. Sem esse nexo, há suspeita grave e enorme desgaste eleitoral — mas não prova de crime do presidente.