Zema promete anistia e acusa STF de perseguição política
Presidenciável contesta penas do 8 de Janeiro e defende novo julgamento sem interferência política
Romeu Zema entrou na sabatina da Globo e tocou justamente no assunto que Brasília tenta encerrar: a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro. O candidato do Novo afirmou que, se eleito, trabalhará para anistiar os envolvidos ou, no mínimo, garantir que sejam julgados por um tribunal que considere verdadeiramente judicial, e não político. Para Zema, houve perseguição e pessoas que apenas pensaram, idealizaram ou estiveram próximas dos acontecimentos não poderiam receber o mesmo tratamento de quem efetivamente depredou patrimônio ou praticou violência.
A fala atinge o ponto mais sensível das condenações: a necessidade de individualizar condutas e aplicar penas proporcionais. Depredação comprovada deve ser punida, mas presença, opinião política ou participação em manifestação não podem ser automaticamente transformadas em tentativa de golpe. Juridicamente, porém, Zema não poderia conceder anistia sozinho: a Constituição exige uma lei aprovada pelo Congresso, que depois seria submetida à sanção ou ao veto presidencial. Ainda assim, o compromisso coloca a revisão das penas no centro da eleição e pressiona os demais candidatos a dizer se manterão a régua adotada pelo STF ou se apoiarão uma saída institucional para pacificar o país.

